RADAR: Atenção a previdência, Ibope e Copom

São Paulo – Os investidores devem começar a quinta-feira digerindo o plano do governo para alterar as regras de previdência dos militares e reestruturar as carreiras nas Forças Armadas. Os dois planos, somados, proporcionarão uma economia líquida de R$ 10,45 bilhões ao longo da próxima década.

O plano apresentado ontem economiza R$ 97,3 bilhões com as mudanças na previdência dos militares, mas traz um gasto de R$ 86,85 bilhões ao longo dos próximos 10 anos decorrente da reestruturação das carreiras.

Como em fevereiro o governo só havia sinalizado uma economia de pouco mais de R$ 90 bilhões ao longo da próxima década com a reforma previdenciária dos militares, sem indicar que haveria gastos com a reestruturação das carreiras, o número final pode ser recebido com decepção pelo mercado.

Entre as principais mudanças propostas está o aumento no tempo de serviço dos militares – de 30 para 35 anos. Haverá uma regra de transição para aqueles que já estão na ativa – um pedágio de 17% sobre o tempo que falta para chegar à reserva. O plano também cria uma alíquota universal de 10,5% para a contribuição ao sistema de proteção social sobre o rendimento bruto.

Hoje, os militares da ativa e os inativos pagam 7,5%.

Ontem, a proposta já não agradou e o Ibovespa fechou em queda de 1,55%.

“Uma economia de cerca de R$ 10 bilhões é muito pouco, sendo que o governo previa mais de R$ 90 bilhões”, disse o economista da Guide Investimentos, Vitor Cândido. “Já se esperava que os militares não impactassem tanto na economia prevista com a reforma, mas a pauta é importante politicamente para a moral do Bolsonaro”, reiterou o analista da corretora Necton, Alvaro Frasson.

Líderes partidários da Câmara dos Deputados mostraram-se preocupados com a proposta de reestruturação de carreira dos militares apresentada junto ao texto da reforma do sistema previdenciário das Forças Armadas. A maior preocupação dos parlamentares passa pela equidade ao comparar a reestruturação de carreiras dos militares com as demais categorias.

No radar está também a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que manteve a avaliação de que a economia brasileira continua exigindo uma taxa básica de juros inferior à estrutural e reduziu a previsão para a Selic (taxa básica de juros) ao fim do ano que vem em 0,25 ponto porcentual, para 7,75%.

A previsão para a inflação neste ano, porém, foi mantida em 3,9%, assim como a previsão para a inflação no ano que vem, em 3,8%. O grupo ressaltou que o balanço de riscos do cenário de inflação agora é simétrico – ou seja, deixou de pender para a possibilidade os preços subirem mais que o esperado.

O comunicado do Copom também reconheceu que, embora a economia continue se recuperando de forma gradual, os indicadores de atividade “apontam ritmo aquém do esperado”, e deixou claro que vai avaliar o comportamento da economia com calma antes de fazer uma alteração mais significativa na política monetária.

“O Comitê julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, com menor grau de incerteza e livre dos efeitos dos diversos choques a que foi submetida no ano passado. O Copom considera que esta avaliação demanda tempo e não deverá ser concluída a curto prazo”, disse o grupo.

Além disso, pesquisa Ibope divulgada ontem mostrou que o governo de Jair Bolsonaro foi avaliado como “bom ou ótimo” por 34% da população, uma queda de 15 pontos percentuais diante da pesquisa realizada em janeiro, quando era bem avaliado por 49%. A taxa é a pior para este período do primeiro mandato na série que se inicia em 1995, com o governo Fernando Henrique.

Ontem, como esperado, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manteve inalterada a taxa de juros na faixa entre 2,25% e 2,50%, em decisão unânime. Além disso, os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) reduziram as projeções de aperto monetário para este ano e o próximo.

Por aqui, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite de ontem (20) o projeto de lei que elimina o teto de participação do capital estrangeiro nas empresas aéreas nacionais. O projeto foi aprovado por 329 votos contra 44, e agora segue para o Senado e, se aprovado, vai para sanção presidencial.

A Vale suspendeu temporariamente e de forma preventiva as operações da mina de Alegria, no complexo de Mariana, em Minas Gerais, por conta dos resultados obtidos em análises preliminares das estruturas, sob condições de stress, serem inconclusivos, não sendo possível garantir sua estabilidade sob tais condições.

A Petrobras informou que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) decidiu hoje efetuar uma cobrança de aproximadamente R$ 2,2 bilhões em um processo administrativo fiscal, que trata da cobrança de Cide sobre remessas ao exterior para pagamento de afretamento de plataformas no ano calendário de 2009.

O conselho da Petrobras elegeu Anelise Quintão para o cargo de diretora executiva de Refino e Gás Natural, além de aprovar a recondução de Roberto Castello Branco e dos demais diretores ao conselho para um mandato de dois anos.

O Banco do Brasil realizou captação pública de dívida sênior no valor de US$ 750 milhões, com vencimento em 20 de março de 2024 e cupom de 4,75% ao ano, por intermédio do Euro Medium Term Note Programme.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) celebrou um protocolo de Intenções com o município de Santo André para elaborar estudos e avaliações visando equacionar as dívidas existentes entre o município e a empresa. As informações foram dadas pela própria companhia em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O conselho de administração da Cielo aprovou a distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio relativos ao primeiro trimestre de 2019 equivalentes a 70% do lucro líquido a ser apurado e ajustado no período.

A Eletrobras informou que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, hoje, a transferência de controle acionário da Amazonas Energia para Consórcio Oliveira Energia – Atem.

Entre as empresas que publicaram balanço, o prejuízo líquido da B2W quase dobrou no quarto trimestre de 2018 em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 67,7 milhões, com o aumento de 8,9% na receita líquida da companhia, para R$ 1,978 bilhão, sendo consumido pelo aumento de despesas operacionais e financeiras.

No caso das Lojas Americanas, o lucro líquido caiu 4,2% no quarto trimestre de 2018 em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 272,8 milhões, pressionado por um aumento nas despesas financeiras e operacionais da companhia, que ofuscaram a expansão de 9,7% na receita líquida, para R$ 5,918 bilhões.

Allan Ravagnani / Agência CMA

Edição: Gustavo Nicoletta ([email protected])

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