RADAR: Atenção a Focus, Bolsonaro e tensão EUA-Irã

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo – Os investidores devem reagir no início desta semana a mais uma edição do relatório Focus, do Banco Central (BC), que mostrou nova queda nas estimativas para o crescimento da economia e para a inflação, e a notícias sobre a tensão crescente entre os Estados Unidos e o Irã.

Os Estados Unidos planejam impor novas sanções ao Irã, sinalizando que não vão aliviar a pressão, apesar dos esforços diplomáticos de líderes europeus para convencer Washington e Teerã a mostrar moderação.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, condenou a campanha de desinformação do Irã, negou que os Estados Unidos usaram Omã para buscar conversas com Teerã e reiterou que a campanha de pressão máxima vai continuar.

A declaração foi feita depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer na semana passada que cancelou um ataque ao Irã porque seria uma resposta desproporcional, após o país derrubar um drone norte-americano.

Em relação aos indicadores econômicos, os economistas ouvidos pelo Banco Central reduziram a estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2019 pela décima sétima vez seguida, de 0,93% para 0,87%, de 1,23% há quatro semanas. A projeção consta no relatório de mercado Focus.

A projeção dos economistas para a inflação medida pelo Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2019 caiu pela quarta vez seguida, de 3,84% para 3,82%, de 4,07% há quatro semanas.

Em âmbito corporativo, o conselho de administração do grupo Raia Drogasil aprovou o pagamento de R$ 53,5 milhões a título juros sobre capital (JCP) próprio aos acionistas. A cifra equivale à proporção de R$ 0,162303512 por ação da companhia. O provento será pago até 3 de dezembro.

No setor petrolífero, a Petrobras assinou Termo de Compromisso com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) relativo aos desinvestimentos na área de refino de petróleo. O documento prevê que a empresa se compromete a vender parte de suas refinarias até dezembro de 2021.

O acordo também prevê que os ativos considerados como potencialmente concorrentes não poderão ser adquiridos por um mesmo comprador ou empresas de um mesmo grupo econômico. Entre as refinarias que se enquadram neste grupo estão: Refinaria Landulpho Alves (RLAM) e Refinaria Abreu e Lima (RNEST); Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR) e Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP); e Refinaria Gabriel Passos (REGAP) e Refinaria Landulpho Alves (RLAM).

No lado político, o presidente Jair Bolsonaro disse no fim de semana que o Congresso tem cada vez mais “superpoderes” e que quer transformá-lo em “rainha da Inglaterra”, que reina mas não governa. A reclamação refere-se à aprovação de um projeto de lei pela Câmara dos Deputados que torna a indicação de integrantes de agências reguladoras privativa do Parlamento.

O deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que preside a comissão da reforma da Previdência na Câmara, respondeu ao comentário de Bolsonaro em sua conta no Twitter.

“Presidente Bolsonaro nós não estamos tentando lhe transformar na rainha da Inglaterra, nós estamos lhe ajudando a ser presidente do Brasil, dando centralidade e blindando a pauta econômica necessária para o país voltar a crescer e gerar emprego”, afirmou.

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