Produção industrial cai mais que o esperado em março

Foto: FreeImages.com/Pawel Jagielski

Por: Olívia Bulla

São Paulo – A produção industrial brasileira caiu 1,3% em março relação a fevereiro, eliminando, assim, o crescimento de 0,6% observado no mês anterior (dado revisado), em base mensal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda é maior que previsão de -0,60%, conforme mediana das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA.

Na comparação com março do ano passado, a produção industrial brasileira recuou 6,1%, na queda mais intensa desde maio de 2018, mês marcado pela greve dos caminhoneiros no país. A queda também é maior que a previsão de -4,90%, ainda conforme o Termômetro CMA.

Com o resultado, a indústria nacional acumula queda de 2,2% no ano e ligeira baixa de 0,1% nos últimos 12 meses, ambos até março. Trata-se do primeiro resultado negativo em 12 meses desde agosto de 2017, permanecendo na trajetória descendente iniciada em julho do ano passado.

Segundo o instituto, 16 das 26 atividades pesquisadas apresentaram variações negativas na produção, em base mensal, com perdas em três das quatro grandes categorias econômicas. Entre os destaques, a produção automobilística caiu 3,2% em março e a indústria de alimentos recuou 4,9%. Na outra ponta, destaque para a alta em produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+4,6%).

O gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo, explica que esses setores foram afetados por causa do efeito calendário, com menos dois dias úteis em comparação com março de 2018. “Houve uma antecipação da produção em diferentes setores da indústria, se preparando para a chegada do carnaval”, diz.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda em relação a fevereiro, bens de capital foi a única a subir, com +0,4%, no segundo mês seguido de resultado positivo. Já a produção de bens intermediários caiu pela terceira vez seguida, em -1,5%, enquanto bens duráveis recuaram 1,3% e os semi e não duráveis cederam 1,1%, interrompendo dois meses de crescimento.

Já na comparação com março de 2018, o IBGE observa a continuidade do efeito negativo que o rompimento da barragem em Brumadinho (MG) teve nas indústrias extrativas (-14%) e automotivas (-13,3%), que exerceram as maiores influências negativas no desempenho da indústria. “Os efeitos de longo prazo da tragédia ainda se fazem sentir”, observa Macedo.

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