Produção industrial cai mais que o esperado em janeiro

POR: OLÍVIA BULLA / AGÊNCIA CMA


Divulgação/FCA

São Paulo – A produção industrial brasileira caiu 0,8% em janeiro relação a dezembro, eliminando, assim, a variação positiva de 0,2% observada no mês anterior, em base mensal, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda no início deste ano é maior que previsão de -0,10%, conforme mediana das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA.

Na comparação anual, a produção industrial brasileira recuou 2,6%, no terceiro resultado negativo seguido neste tipo de confronto. A queda também é maior que a previsão de -1,4%, ainda conforme o Termômetro CMA. Ainda assim, a indústria nacional acumula leve alta de 0,50% nos últimos 12 meses, até janeiro, mantendo a perda de ritmo iniciada em julho do ano passado.

Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo, o perfil do resultado negativo da indústria é bem disseminado. “É uma produção industrial em ritmo abaixo da que encerrou 2018. No acumulado dos últimos 12 meses, ainda estamos no positivo, mas ele vem reduzindo a intensidade dessa expansão. Em julho de 2018, esse crescimento era de 3,4%. Ou seja, até nesse indicador, que está no campo positivo, vemos uma redução da intensidade do crescimento”, afirma.

Em base mensal, 13 das 26 atividades pesquisadas apresentaram variações negativas na produção, em base mensal. Entre os destaques, estão: produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-10,3%); indústrias extrativas (-1,0%), máquinas e equipamentos (-2,9%); celulose, papel e produtos de papel (-2,6%). Na outra ponta, destaque para a alta em produtos alimentícios (+1,5%).

Entre as grandes categorias econômicas ainda em relação a dezembro, houve queda da produção em todas: bens de capital cedeu 3,0%; bens intermediários teve leve baixa de 0,1%, ao passo que bens de consumo caiu 0,3%, sendo que os duráveis tiveram ligeiro avanço de 0,5%, enquanto os semi e não duráveis cederam 0,4%.

Já na comparação anual, houve queda em 18 dos 26 ramos de atividade pesquisados, com recuo em todas as quatro categorias econômicas. Entre as atividades, os maiores impactos, no período, vieram de produtos alimentícios (-4,0%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-22,5%) e máquina e
equipamentos (-10,3%).

Entre as grandes categorias econômicas, ainda na comparação entre janeiro deste ano e do ano passado, a produção de bens de capital tombou 7,7%/; a de bens intermediários cedeu 1,3% e a de bens de consumo declinou 3,4%, sendo que os duráveis caíram 5,5% e os semi e não duráveis recuaram 2,9%.

De acordo com Macedo, do IBGE, os números da indústria em janeiro podem ser atribuídos, em grande parte, à falta de confiança dos empresários do setor em uma retomada mais consistente da economia brasileira no futuro próximo. “Mesmo havendo um aumento na confiança dos empresários, esse aumento é mais em relação ao futuro a longo prazo. Os investimentos têm sido adiados”, diz o gerente da pesquisa do instituto.