Produção da Opep cai em agosto pela 1ª vez em 5 meses

13/09/2017 09:53:16

Por: Pâmela Reis / Agência CMA

Divulgação/Shell

São Paulo – A produção de petróleo dos 14 membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) caiu de 32,88 milhões de barris por dia (bpd) em julho, o maior nível do ano, para 32,67 milhões de bpd em agosto, pressionada principalmente pela redução da oferta na Líbia, diz relatório mensal da Agência Internacional de Energia (AIE).

A queda de 210 mil bpd é a primeira redução do fornecimento da Opep desde março. Apenas na Líbia, a produção caiu em 140 mil bpd em agosto ante julho, para uma média de 870 mil bpd, uma vez que milícias do país fecharam alguns dos principais campos de petróleo e oleodutos.

A oferta também encolheu entre os outros membros da Opep, que participam do acordo para retirar 1,2 milhão de bpd do mercado até março de 2018 – Líbia
e Nigéria estão isentas dos cortes. O pacto envolve também um grupo de países de fora do cartel que deve retirar mais 600 mil bpd de circulação, levando o corte total a 1,8 milhão de bpd.

Entre os 12 membros da Opep signatários do acordo, a produção caiu de 30,23 milhões de bpd em julho para 30,14 milhões de bpd em agosto, o que elevou de 75% para 82% a taxa de conformidade com o pacto. A taxa média de conformidade para o ano de 2017 está em 86%, nível que a AIE considera robusto em comparação com os padrões históricos.

A Arábia Saudita, maior produtor do grupo, mantém conformidade acima de 100% pelo oitavo mês seguido, o que indica que o país está realizando corte maior que o prometido. A taxa saudita está em 106% e a produção caiu de 10,03 milhões de bpd em julho para 10 milhões de bpd em agosto.

Entre os dez países de fora da Opep que também aderiram ao acordo, a taxa de conformidade subiu de 68% em julho para 118% em agosto, sinalizando que os cortes excederam o prometido pela primeira vez desde janeiro, quando o trato entrou em vigor. A produção conjunta recuou em 270 mil bpd em agosto ante julho, para 18,174 milhões de bpd.

A oferta da Rússia, maior produtor deste grupo, caiu em 40 mil bpd, para 11,281 milhões de bpd, devido a manutenções em campos no Ártico e na Sibéria. O Cazaquistão obedeceu à sua cota pela primeira vez desde janeiro e a produção do México foi a menor desde 1980. Na média do ano, o nível de conformidade dos não-membros da Opep está em 68%.

Apesar dos bons indicadores, o aguardado reequilíbrio entre a oferta e a demanda está demorando para se materializar. Para a AIE, isso pode levar a uma extensão do prazo. “Parece haver crescente apoio entre produtores da Opep e de fora da Opep a um prolongamento dos cortes para além de março de 2018, já que os esforços de reequilíbrio estão demorando mais do que o esperado [para surtir efeito]”, diz o relatório.

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