Processo eleitoral dos EUA começa hoje com debate democrata; Biden é favorito

O pré-candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden. Foto: Divulgação/ Campanha Biden President

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – A temporada de campanha para a eleição presidencial de 2020 nos Estados Unidos vai começar de fato hoje, quando ocorre o primeiro debate entre os pré-candidatos do Partido Democrata, em Miami, na Flórida. Segundo analistas consultados pela Agência CMA, Joe Biden é o favorito para se tornar o candidato democrata e enfrentar o presidente do país, Donald Trump, que vai tentar a reeleição.

Ao todo, 24 pré-candidatos democratas se registraram, mas apenas 20 apresentaram os requisitos necessários para participar do debate, que será divido em duas noites, até amanhã.

Na estreia das discussões, estarão a senadora Elizabeth Warren; o ex-deputado Beto O’Rouke e o senador Cory Booker, entre outros. Amanhã, será a vez do ex-vice-presidente de Barack Obama, Joe Biden; do senador Bernie Sanders, que perdeu a disputa das primárias democratas em 2016 para Hillary Clinton; e da senadora Kamala Harris.

No total, 12 debates estão programados para as primárias democratas, sendo seis deles este ano, enquanto nenhum debate republicano está agendado. Trump, até o memento, possui apenas um oponente republicano, o senador Bill Weld. O próximo debate democrata será nos dias 29 e 30 de julho.

“Esses grandes debates de candidatos não são propícios a discussões
profundas. Cada candidato terá apenas um minuto para responder. Eles serão questionados sobre saúde, imigração, mudança climática, salários, empréstimos estudantis, acesso ao aborto e impeachment”, disse a professora de ciência política na Christopher Newport University, Rachel Bitecofer.

Para a pesquisadora sênior do American Enterprise Institute (AEI), Karlyn Bowman, cada pré-candidato vai dizer por que é a melhor opção, e alguns deles podem contrastar suas próprias opiniões com Biden, que agora é o favorito. Ela destacou que as pesquisas dizem que saúde, economia e imigração são os principais assuntos sobre os quais os eleitores querem ouvir, mas isso pode mudar se economia do país começar a piorar.

Além disso, críticas a Trump e suas políticas devem aparecer com força nas discussões democratas. Uma pesquisa recente da “CBS News”, conduzida pelo YouGov, entre 31 de maio e 12 de junho, com 16,6 mil eleitores em 18 Estados, mostrou que a capacidade de vencer Trump como o mais importante para os eleitores democratas (78%), à frente de novas ideias políticas (40%) e da mudança de Washington (31%).

Segundo Bowman, o campo democrata ainda está muito aberto. “Não creio que esteja claro neste momento que Joe Biden será o indicado, mas suas posições mais centristas do que alguns dos outros democratas podem torná-lo um candidato melhor para desafiar Trump”, disse.

O professor do departamento de Ciência Política da Florida Atlantic University (FAU), Kevin Wagner, afirmou que as pesquisas da universidade mostram que o candidato mais forte no estado-chave da Flórida é Biden. “Mas está muito cedo no processo. Prever quais candidatos são os mais qualificados é um negócio perigoso. Muitos democratas achavam que Trump era inelegível”, lembrou ele.

Segundo o professor, os partidos políticos norte-americanos tendem a apoiar seu candidato, mesmo que ele não seja a primeira escolha de muitos membros da legenda. “Nós vimos isso com Trump”, disse. “Mas o entusiasmo ou a falta dele pelo candidato pode ser importante. Nossas eleições têm sido apertadas, então deixar as pessoas motivadas para sair e votar é a chave”.

Para Bitecofer, neste momento, é justo dizer que Joe Biden é o principal candidato democrata. “Ele é um candidato forte, o que é uma surpresa, dado o número de pré-candidatos que entraram na disputa”, afirmou, acrescentando que as avaliações do primeiro debate dirão um pouco sobre como os democratas estão indo até agora.

Como ex-vice-presidente, Biden desfruta do mais alto nível de reconhecimento de nomes, seguido por Sanders, o vice-campeão do ciclo anterior, e até certo ponto as pesquisas até agora estão refletindo isso, afirmou Bitecofer. “Os democratas vão se unir em torno de seu candidato neste momento. A ameaça de Trump promoverá a união”, disse.

“No entanto, é importante ter em mente que apenas os eleitores mais engajados politicamente estão sintonizados nas primárias neste momento. A maioria dos eleitores não vai começar a prestar atenção até o outono [no Hemisfério Norte]”.

ESTADOS DECISIVOS

As votações primárias dos dois partidos vão acontecer entre fevereiro e junho de 2020, começando pelo estado de Iowa. Depois disso, durante a convenção nacional de cada legenda, serão anunciados quem serão os candidatos à presidência.

Além de Iowa, outros estados, como a Flórida, são considerados decisivo nas eleições, pois tratam-se de “swing states”, ou seja, não possuem uma direção política definida, e tanto candidatos democratas quanto republicanos podem receber a maioria dos votos nas eleições.

Não foi por acaso a escolha da Flórida para sediar o primeiro debate democrata, da mesma forma que Trump escolheu o estado para o lançamento oficial de sua campanha, na semana passada. Na votação presidencial de 2016, Trump venceu na Flórida.

“Não existem muitos ‘swings states’ que qualquer um dos partidos possa ganhar. A Flórida é um dos poucos grandes estados que é possível ganhar para ambos os partidos. Se você perder na Flórida, muitas vezes terá que encontrar vários outros estados para compensar a derrota, e isso é difícil de fazer. Para os republicanos, é quase uma necessidade”, afirmou Wagner, da FAU.

Segundo ele, o último republicano a vencer a presidência sem a Flórida foi Calvin Coolidge, em 1924. Para os democratas, é possível vencer sem a Flórida, mas muito mais difícil. “É por isso que você verá os dois partidos concentrando uma grande atenção na Flórida novamente”.

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