Privatização não é o melhor para Eletrobras, mas a capitalização, diz ministro

Por Leandro Tavares

São Paulo – O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse ontem em entrevista à “GloboNews” que juntamente com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e outros atores do setor chegaram à conclusão que o melhor caminho para a Eletrobras é capitalização e não a privatização.

“Esse modelo preserva o patrimônio e é um modelo mais fácil para aprovação no Congresso Nacional. Vai haver uma tramitação. Hoje a Eletrobras está fora do programa de desestatização. Ou seja, ela tem que ser incluída novamente no programa para ter a capitalização”, afirmou o ministro.

Segundo ele, esse é o modelo (capitalização) mais aplicado no mundo. “70% das empresas desse porte da Eletrobras no mundo são empresas que foram capitalizadas no qual o governo tem participação. O governo passará a ter participação minoritária. O modelo estamos finalizando de como ele se dará. Devemos apresentar ao presidente [Jair Bolsonaro] na próxima semana ou na outra”.

Bento Albuquerque ressaltou que tem trabalhado junto com o Congresso para mostrar as ações prioritárias do ministério. “A questão da Eletrobras foi colocada na oportunidade. Vamos primeiro fazer a recuperação que está em curso e depois a capitalização. Isso será apresentado ao Congresso de forma transparência. Vamos continuar trabalhando para essa aprovação”.

Indagado se havia mudado de ideia sobre a privatização de ativos, por ser um militar, o ministro afirmou que não. “O governo foi eleito de forma liberal da economia. Estamos trabalhando junto com os atores dentro do governo. Até fiz um comentário. Eu como cidadão vejo que tem que ter a capacidade de exercer a sua soberania, tem que ter a capacidade de prover e fiscalizar”.

Na visão de Bento Albuquerque, não há nenhum sentido de a Eletrobras ser estatal e que não faltarão interessados na companhia. “A sociedade brasileira serão os grandes investidores. Estamos avaliando o número de ações que esse eventual possa ter na Eletrobras. Estamos estudando ainda esse número. Estamos afinados com a economia e vamos apresentar ao presidente”.

O ministro explicou que os estrangeiros poderão ter participação, mas terão limitação, uma vez que a Eletrobras não terá um acionista majoritário. A participação de cada um será determinada nesse modelo.

Dessa forma, a empresa vai receber recursos, na simulação a expectativa é receber R$ 18 bilhões, que vai para a União. Porém, embora o valor vá para a União, Bento Albuquerque explicou que também vai mudar o regime de cotas da empresa e que serão feitas novas concessões que possa gerar ao acionista cerca de R$ 18 bilhões. “As ações vendidas devem gerar de R$ 30 a R$ 35 bilhões”.

Questionado como a Eletrobras seria capitalizada se boa parte vai para a União, o ministro afirmou que o dinheiro vai para o setor e para o Tesouro. “O valor de mercado dela hoje está em R$ 50 bilhões. Tem as novas outorgas e concessão que poderão gerar recursos”.

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