Previsões de Ibovespa a 115 mil pts se consolidam após o 1º semestre

Por Danielle Fonseca

São Paulo – Após o Ibovespa subir quase 15% e superar o marco histórico dos 100 mil pontos no primeiro semestre, as previsões de que atingirá 115 mil pontos até o fim do ano, podendo se aproximar dos 120 mil no melhor cenário, estão se cristalizando no mercado. A aprovação de uma reforma da Previdência robusta, o início de um ciclo de queda da taxa básica de juros (Selic) e o anúncio de novas medidas de estímulo econômico por parte do governo são os fatores esperados no segundo semestre para que as melhores previsões se confirmem, afirmam analistas ouvidos pela Agência CMA.

O fim da primeira metade do ano trouxe uma maior probabilidade de aprovação da Previdência, com os esforços do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ficando evidentes e culminando na aprovação do projeto na comissão especial, o que alimentou esperanças de que possa ser votado no plenário na Casa antes do recesso parlamentar, que começa no dia 18 de julho. Mesmo no caso de atrasos no cronograma e possíveis alterações até o fim do processo, muitos analistas dão a aprovação como certa e continuam apostando em uma reforma robusta.

A XP Investimentos, por exemplo, acredita que a votação na Câmara pode não ocorrer até o dia 18, mas mantém como cenário base uma reforma com uma economia de “pelo menos R$ 700 bilhões em 10 anos”, o que sustenta a tese da corretora de que o Ibovespa deve atingir 115 mil pontos até o final do ano e 140 mil até o final de 2020. “Acreditamos que estamos em meio a uma transformação no Brasil, e vemos a bolsa como o melhor ativo para se investir”, dizem os analistas da corretora em relatório divulgado no início do mês.

A expectativa ainda é que a aprovação abra espaço para uma queda de juros, que poderia se iniciar já na reunião do final de julho do Comitê de Política Monetária (Copom), o que fez o Itaú BBA elevar a sua expectativa para o Ibovespa para 118 mil pontos ao fim de 2019 na semana passada. “Revisamos nossa projeção baseados em um ambiente de taxa de juros mais baixas no país, que continua a nossa principal recomendação de compra em termos de perspectiva de alocação”, afirmaram os analistas do banco ao comparar o Brasil com outros países da América Latina.

O economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, também acredita que o Ibovespa, mesmo que possa ter correções de curto prazo, não irá parar depois de ter atingido os 100 mil pontos. Para ele, a reforma da Previdência pode ser só o começo, destacando, porém, que outras medidas serão necessárias.

“Na minha visão, a reforma é só o trator abrindo a estrada, temos que fazer outras reformas macro e micro, algumas até mais importantes que a Previdência, como a reforma tributária”, disse. Com a aprovação da Previdência e possíveis medidas, vê o Ibovespa podendo ir dos 110 mil até 120 mil pontos, no melhor cenário.

Já o economista da Órama Investimentos e professor do Ibmec, Alexandre Espiríto Santo, está mantendo a sua expectativa feita no final do ano passado de que o índice chegará a 115 mil pontos ainda este ano, embora não descarte que possa ir até um pouco acima disso com a economia real começando mostrar melhoras.

Com os 100 mil já ficando para trás, já que a nova máxima histórica, batida no dia 8 de julho, foi de 104.679,30 pontos, a expectativa é que o Ibovespa também passe a ser negociado em uma faixa mais elevada a partir de agora. Para o analista de investimentos do banco Daycoval, Enrico Cozzolino, aos poucos, se tudo correr bem, os 100 mil poderiam se tornar o novo piso dessa faixa, no lugar dos 95 mil pontos.

“Já há outros níveis de suporte e acredito que não é só euforia, teremos outros fundamentos além da reforma, como juros mais baixos, inflação controlada, bancos centrais mundiais estimulando suas economias”, disse.

A Necton Corretora, por sua vez, manteve sua projeção de 112 mil pontos para o índice ao fim de 2019. O analista da corretora, Glauco Legat, destaca, no entanto, que a aprovação da reforma da Previdência parece já precificada pelo mercado, o que faz com que sejam necessárias novidades, como novas medidas para estimular a economia e a volta dos investidores estrangeiros para o mercado brasileiro, para que o índice dê um novo salto significativo.

“O mercado já está começando a olhar como vai ser depois da reforma, se com ela encaminhada, o governo começa a trabalhar em medidas de curto prazo e incentivo. Esse pode ser o grande motor daqui para frente, como novidades na pauta microeconômica, vendas de estatais, entre outras medidas”, afirmou.

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