Pressão em emergentes pode pesar na decisão de política monetária do BC

13/09/2018 18:00:29

Por: Olívia Bulla / Agência CMA

São Paulo – Na semana em que se completa os primeiros dez anos desde a quebra do Lehman Brothers, quando teve início a maior crise financeira mundial desde 1929, o cenário de reversão do processo de estímulos monetários, dando fim à era de juro zero nas economias desenvolvidas e de farta liquidez global, pressiona as economias emergentes. E esse cenário deve seguir no radar do Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião deste mês.

“A razão conjunta para a piora dos ativos de risco é a redução de liquidez nos mercados financeiros mundiais, com alta de juros nos Estados Unidos e cada vez menos estímulos monetários na zona do euro e no Japão”, explica o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Desde maio, o Banco Central alterou a avaliação em relação ao ambiente internacional, dizendo que ele se tornou “mais desafiador”, deixando de se mostrar “favorável”. Na última reunião, em agosto, o BC observou que houve certa acomodação no exterior, após a volatilidade apresentada até junho.

Hoje, porém, “o cenário externo é definitivamente diferente do cenário externo de alguns poucos meses, ou alguns dias, atrás”, afirma o estrategista de multimercados da Icatu Vanguarda, Dan Kawa. Segundo ele, o Copom deveria agir diante da mudança brusca vista lá fora, que mudou o patamar da taxa de câmbio para além de R$ 4,00.

Kawa explica que o processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas, principalmente, nos Estados Unidos, aliado à ausência de reformas nos países emergentes têm sido os principais responsáveis pela dinâmica mais negativa dos ativos de risco. “Houve um excesso de fluxo para esses países e ativos ao longo dos últimos anos”, lembra.

Com menos liquidez global agora, os investidores começam a diferenciar os países emergentes entre os que têm fundamentos macroeconômicos sólidos daqueles que têm mais problemas, como Turquia e Argentina, emenda Rosa. “Mas também há certa correlação entre os diversos países emergentes”, pondera.

Para ele, as eleições que ocorrem em outubro têm sido o principal motivo para tornar o Brasil alvo de “ataques especulativos”. “Há grande possibilidade de que sejam eleitos candidatos que não continuem com a política de reformas estruturais, seja por questões ideológicas seja por falta de apoio do Congresso”, observa o economista da SulAmérica.

Com isso, o mercado financeiro precifica aumentos ao redor de um ponto percentual (pp) nas próximas três reuniões do Copom até o fim do ano, mas há dúvidas quanto a uma elevação moderada, de 0,25 pp, neste mês. “Entendo que existe uma eleição no meio do caminho, mas quanto antes o BC iniciar um ciclo de alta dos juros, menor e mais moderado deverá ser este ciclo”, pondera o estrategista da Icatu Vanguarda.

Edição: Eliane Leite (e.leite@cma.com.br)

 

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