Pressão contra agrotóxicos é reflexo da guerra comercial, diz Bolsonaro

Por Gustavo Nicoletta

Presidente Jair Bolsonaro durante encontro com lideranças empresariais e cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Industrial São Paulo. (Foto: Alan Santos/PR)

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro disse que as críticas ao governo pela liberação de agrotóxicos ocorrem em decorrência da “guerra comercial” e que o governo precisa auxiliar os agroexportadores porque este é o setor da economia que apresenta o melhor desempenho.

“Tem que estimular o agronegócio. É a parte da economia que mais está dando certo no Brasil. Temos que colaborar com o setor”, disse o presidente em entrevista a jornalistas. “Liberamos uma centena de produtos que vão fazer bem para o agronegócio. Evoluímos”, afirmou.

Do início do ano até agora, o governo autorizou o registro de 262 substâncias usadas como defensivos agrícolas – mais do que em anos anteriores.

Em meados de junho, quando esse número ainda estava em 239, a organização internacional Greenpeace afirmou que 31% delas não eram permitidas na União Europeia – bloco com o qual o Brasil e outros países do Mercosul recentemente fecharam um acordo de livre-comércio.

Nesta semana, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que das 262 substâncias que tiveram o registro autorizado, apenas sete são novas, com dois novos ingredientes ativos (sulfoxaflor e florpirauxifen-benzil), e que as demais são classificadas como equivalentes, ou genéricos, e que a lei obriga a autorização destas substâncias por quebra de patente.

O ministério também afirmou que em nenhum dos casos o pedido de registro foi feito neste ano. “Os pedidos de registro aguardam na fila em média há quatro anos – e alguns há uma década, apesar de a lei determinar prazo de 120 dias para resposta”, disse o órgão em nota.

O documento apontou também que não é correto comparar a lista de agrotóxicos autorizados pelo Brasil com a da União Europeia porque os cultivos das duas regiões variam.

“Um país onde não se cultiva banana não tem necessidade de registrar um agrotóxico para controle da broca-do-rizoma, por exemplo. A Europa não precisa do herbicida lactofen para a proteção da soja, pois a produção do grão é considerada irrisória”, disse o Ministério.

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