Prejuízo da BRF sobe 9,5x no 2T18 com preço de grãos, greve e Trapaça

10/08/2018 10:29:50

Por: Eliane Leite / Agência CMA (e.leite@cma.com.br)

(Divulgação/BRF)

São Paulo – A processadora de alimentos BRF teve prejuízo líquido de R$ 1,574 bilhão no segundo trimestre do ano, resultado 9,5 vezes acima do prejuízo de R$ 166,0 milhões obtido um ano antes. Analistas consultados pela Agência CMA previam que a empresa teria prejuízo de R$ 438,98 milhões no período, com alta de 2,5 vezes.

O resultado foi impactado pelo aumento do preço dos grãos e por um mix de menor valor agregado, que pressionaram o desempenho operacional. Além disso, a companhia lista os impactos negativos de despesas não recorrentes de R$ 672,0 milhões, em razão da operação Trapaça, da greve dos caminhoneiros, da dívida designada como “hedge accounting”, e o aumento das despesas financeiras líquidas em R$ 97,0 milhões pelo avanço do
endividamento líquido com variação cambial.

O ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou negativo em R$ 289,0 milhões, depois de saldo positivo em R$ 575,0
milhões um ano antes, com margem negativa de 3,5%. Analistas previam queda de 32,0% para R$ 393,428 milhões, com margem de 4,84%. Já o ebitda ajustado caiu 47,1%, para R$ 373,0 milhões.

A receita líquida da BRF cresceu 1,9% no trimestre em relação a um ano antes, para R$ 8,181 bilhões, ficando acima das expectativas do mercado, que
esperava aumento de 0,18%, a R$ 8,013 bilhões. O volume de vendas da BRF no trimestre subiu 4,0%, para 1,216 milhão de toneladas. O preço médio (ROL) ficou em R$ 6,73 por quilo, queda de 2,0% no trimestre. No trimestre, a margem bruta da companhia foi de 8,1%, ou 10,4 pontos porcentuais (pp) abaixo da margem do mesmo período de 2017, de 18,5%.

No Brasil, o volume de vendas cresceu 8,6%, a 538,0 mil toneladas, com preço médio de R$ 6,84 por quilo, 4,1 % menor ante o preço médio do mesmo
período do ano anterior, totalizando receita operacional líquida de 3,683 bilhões no período, 4,2% maior em relação há um ano.

Na divisão internacional, o volume de vendas caiu 13,7%, a 260,0 mil toneladas, com preço médio 11,2% menor, de R$ 6,31 por quilo. A receita
operacional líquida na região caiu 23,4%, a R$ 1,643 bilhão. Já na Ásia, terceiro maior mercado para a BRF, as vendas caíram 0,7%, a 172 mil toneladas, com preço médio 13,7% menor, de R$ 5,44 por quilo . A receita operacional líquida na região caiu 14,3%, a R$ 934,0 milhões.

Ao fim do segundo trimestre, a dívida líquida da empresa somava R$ 15,696 bilhões, ou o equivalente a 5,69 vezes o ebitda. No final do trimestre
anterior, a dívida era de R$ 14,019 bilhões, o equivalente a 4,44 vezes o ebitda. Um ano antes, a dívida estava em R$ 13,793 bilhões, ou 4,79 vez o
ebitda.

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