Prefixados do Tesouro Direto viram “bola da vez” após estresse com juros e eleições

09/08/2018 15:24:34

Por: Flávya Pereira / Agência CMA

São Paulo – Depois do estresse na curva de juros entre maio e junho parece que os investidores colhem os frutos do investimento no Tesouro Direto, com a rentabilidade de um dos títulos se destacando entre os demais: o prefixado (LTN – Letras do Tesouro Nacional) com vencimento para 2021. A aposta dos analistas é de que até o fim do período eleitoral, pelo menos, as LTNs são a “bola da vez”.

No ano até ontem (8), a LTN para vencimento em 2021 teve rentabilidade bruta de 5,26%, a maior entre todos os títulos disponíveis para venda. O que não foi diferente nos últimos 12 meses, com o título acumulando rentabilidade de 9,43% também até ontem. Na mesma comparação, porém até junho, foi o único título a acumular dois dígitos de rentabilidade (+11,71%).

“A LTN 2021 se valorizou em função do preço, que vem subindo. E quanto mais perto do vencimento estiver, vai continuar subindo porque o risco de mercado vai diminuindo”, avalia a consultora em finanças, Betty Grobman.

Além de ser o título de vencimento mais curto, o prefixado foi o que mais capturou “o retorno proporcionado pelo corte da taxa básica de juros (Selic) – entre outubro de 2016 e março de 2018 – e o que mais suportou o estresse na curva de juros entre maio e junho, sofrendo menos com o prêmio de risco”, explica o professor de finanças da Saint Paul, Marcelo Cypriano.

O professor lembra que a abertura da curva de juros deu-se pelo “combo” Copom [Comitê de Política Monetária], que manteve a Selic em 6,50% ao ano após o Banco Central (BC) sinalizar que haveria queda na reunião do Comitê em maio, disparada do dólar, pesquisas eleitorais – à época mostrando o candidato Ciro Gomes (PDT) em segundo lugar nas intenções de votos nos cenários sem o ex-presidente Lula – e a paralisação dos caminhoneiros.

Já a consultora em finanças não descarta a possibilidade de uma estratégia do Tesouro Nacional em aumentar a rentabilidade dos títulos na tentativa de manter as aplicações dos investidores. “Podem ter sim se disponibilizado a pagar mais para quem aplica no Tesouro Direto não migrar para o câmbio, que na época teve forte valorização frente ao real”, ressalta. No começo de junho, a moeda norte-americana chegou às máximas do ano, acima de R$ 3,90.

Passado esse período, Cypriano pondera que, no mês passado, os juros ficaram “mais comportados, tendo quedas”, o que fez dos prefixados serem a “estrela desse cenário mais calmo”, diz. Diante disso, ele avalia o título para 2025 como uma “ótima oportunidade” nesse momento de “calmaria e período eleitoral”.

“Quem pretende investir e vai carregar o título até o vencimento ou por mais de dois anos, a LTN 2025 tem sido a melhor opção”, diz Cypriano. Betty acrescenta que “a partir de agora, é risco sistêmico por causa das eleições”, o que provoca maior volatilidade nos juros e nos títulos.

Avaliando o atual cenário, “a aposta fica com a bola da vez, os prefixados, que estão rendendo mais. Pelas incertezas políticas e pela conjuntura econômica”, reforça a consultora. Ela ressalta ainda que esses dois títulos são opções para atender “aos investidores de poupança”, que buscam por aplicações de curto e médio prazo.

Na contramão, os títulos pós-fixados atrelados à inflação (NTN-B – Notas do Tesouro Nacional série B e NTN-B Principal] passam por desvalorização e acumulam rendimentos baixos e até negativos nos últimos meses. O título IPCA+ para vencimento em 2045 (NTN-B Principal), por exemplo, acumula perdas ao redor de 2,5% no ano e de 6,25% nos últimos 12 meses até ontem.

“As taxas longas sentiram mais o estresse na curva lá em junho e os papéis indexados à inflação ficam caros. A curva futura chegou ao ponto máximo do ano influenciada pelo ‘combo’, principalmente, pela greve dos caminhoneiros”, diz o professor da Saint Paul.

Ele destaca que, para que voltem a ter bons rendimentos, é preciso que a inflação “continue subindo, ao redor de 5%, até para render mais do que os prefixados”. Cypriano reforça que nos próximos dois meses, visto que as incertezas políticas com as eleições aumentarão, esses pós-fixados tendem a piorar, “o que deixa de ser um bom investimento”, avalia.

Betty, porém, ressalta que, apesar de estarem rendendo menos neste momento, “sempre é a melhor opção para quem investe pensando na aposentadoria ou em outro objetivo de longo prazo. “Pode continuar investindo porque ainda assim, na média, ele tem rendido mais que a inflação. As taxas de juros vão voltar a subir, o que deve puxar os índices inflacionários daqui um tempo. Investe e deixa lá”, orienta.

Quanto ao título indexado à taxa Selic, para vencimento em 2023, segue em campo neutro, comentam os analistas. “Ele continua sendo a melhor alternativa para o investidor que busca liquidez. Independentemente de quanto esteja a Selic, ele sempre será melhor que a poupança, por exemplo”, analisa a consultora de finanças.

Edição: Eliane Leite (e.leite@cma.com.br)

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