Preço do petróleo acende alerta para Petrobras em 2019

12/12/2018 12:14:13

Por: Wilian Miron / Agência CMA

Navio-plataforma Cidade de Itaguaí começou a operar em área do pré-sal da Bacia de Santos (Foto: Agência Petrobras / Stéferson Faria)

São Paulo – A recente queda no preço do petróleo no mercado internacional e as incertezas em relação ao comportamento da commodity em 2019 acenderam a luz amarela do mercado em relação à Petrobras, já que a cotação mais elevada do óleo, acima de US$ 80,00 o barril, foi um dos principais motores da recuperação da companhia.

Até o mês de outubro, quando o preço do barril do petróleo estava em US$ 86,26, a perspectiva era que as ações pudessem ter uma forte valorização e chegar próxima a R$ 30,00 no início de 2019. Porém, hoje, a maioria dos analistas consultados pela Agência CMA começam a se mostrar mais reticentes em relação à força do papel no próximo ano.

No entanto, existem iniciativas por parte da Petrobras e do governo que podem aliviar a pressão dos papéis, como é o caso da venda de ativos e a possibilidade de aprovação da cessão onerosa.

De acordo com o analista da Mirae Asset, Pedro Galdi, pelo menos no curto prazo o recuo no preço do petróleo afeta a Petrobras, “principalmente porque ela está trabalhando com preço atrelado ao mercado externo para os derivados”.

Galdi ressalta, no entanto, que o cenário não chega a ser negativo para a empresa, já que a política de preço dos combustíveis adotada em meados de 2017 estabelece uma margem de lucro positiva. “É claro que com os preços menores no mercado internacional ela vai ganhar menos por barril, mas, no mercado interno, ao menos teoricamente, ela conseguirá manter uma margem positiva”.

Segundo o analista da Codepe Corretora, José Costa, embora haja uma correlação direta entre o preço do petróleo e o desempenho da petrolífera, o papel continuará atraente no próximo ano e deve, no mínimo, se manter nos patamares atuais, sustentado pela cessão onerosa e pelos desinvestimentos que devem acontecer, sobretudo na área de refino.

“Embora o preço do petróleo afete a empresa, temos visto ela numa situação muito melhor do que antes. É possível que a gente tenha boas notícias com os desinvestimentos, que podem deixa-la só com a produção de óleo, que é o filé mignon”, diz Costa.

O analista da Codepe destaca também que o desempenho da empresa dependerá das negociações envolvendo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em relação à produção de petróleo, e à demanda pela commodity na China e nos Estados Unidos, considerados por ele os principais compradores de petróleo do mundo.

“Hoje temos uma empresa com mais credibilidade, com eventos para acontecer que podem ser benéficos. Mas, por outro lado, tem questões que não tem como controlar, como as decisões entre os árabes e os russos sobre abrir ou fechar a torneira da produção”, explicou Costa.

Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, a Petrobras é atraente aos olhos dos investidores mesmo com o petróleo mais barato. “Essa volta do petróleo foi bem forte, chegou a bater em um patamar de US$ 50. Mas a empresa tem alguns drivers interessantes para médio prazo, como a venda de ativos e a cessão onerosa, que sempre são notícias vistas como positivas por parte dos investidores, isso ajudou a ação a se manter nessa faixa dos R$ 20, mesmo com a queda no preço do petróleo”.

Chinchila afirma, porém, que, no longo prazo, as variações no preço da commodity deve ser observado com atenção pelos investidores. “Algumas situações lá fora podem prejudicar, e, se por um lado o preço se manteve, por outro também não deslanchou como deveria, por conta dessas situações”.

Edição: Leandro Tavares (leandro.tavares@cma.com.br)

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