Powell reitera chance maior de corte de juros com riscos econômicos

Por Carolina Gama

São Paulo – O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte americano), Jerome Powell, disse que os riscos à economia dos Estados Unidos aumentaram recentemente, reforçando o caso entre os membros do comitê de política monetária de juros mais baixos.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Foto: Divulgação/ Federal Reserve

“Condições adversas reapareceram, com aparente progresso no comércio transformando-se em maior incerteza e com novos dados levantando preocupações sobre a força da economia global”, disse Powell em discurso no Conselho de Relações Exteriores de Nova York.

Segundo ele, essas preocupações podem ter contribuído para a queda na confiança das empresas e estar começando a aparecer em dados recebidos. “Contra o pano de fundo das incertezas crescentes, a perspectiva básica dos meus colegas do comitê, como a de muitos analistas, permanece favorável, com o desemprego próximo de mínimos históricos”, afirmou.

Além disso, segundo Powell, espera-se que a inflação nos Estados Unidos retorne à meta de 2% ao longo do tempo, embora a um ritmo um pouco mais lento do que o previsto no início do ano. “No entanto, os riscos para essa perspectiva favorável parecem ter aumentado”, disse.

Os comentários repetem partes do comunicado do Fed e da coletiva de imprensa da semana passada, quando o banco central norte-americano manteve a taxa básica inalterada na faixa entre 2,25% e 2,50%, mas deixou a porta aberta para futuros ajustes.

“A questão com a qual meus colegas e eu estamos lidando é se essas incertezas continuarão a pesar sobre as perspectivas e, portanto, exigir uma acomodação adicional. Muitos participantes do comitê julgam que o argumento para a acomodação se fortaleceu”, afirmou Powell.

Ele ressalta que, embora os riscos sejam maiores agora, a política monetária não deve reagir a dados individuais ou a oscilações de curto prazo na confiança. “Fazê-lo arriscaria adicionar ainda mais incerteza às perspectivas. Vamos acompanhar de perto as implicações das informações recebidas para as perspectivas econômicas e agiremos de forma apropriada para sustentar a expansão”, acrescentou.

Entre as incertezas citadas por Powell estão as disputas comerciais envolvendo os Estados Unidos e o enfraquecimento do crescimento econômico global. “Neste momento, as tarifas não representam uma ameaça para a economia. O efeito das tarifas sobre a demanda é importante, mas ainda não é tão amplo”, completou.

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