Possível venda de Banrisul agita setor, mas preocupa bancos privados

09/02/2017 15:01:58

Por: Camila de Lira / Agência CMA

São Paulo – A indicação de que o Estado do Rio Grande do Sul poderia privatizar o Banrisul para conseguir dar uma garantia à União para quitar a sua dívida que, soma mais de R$ 50,7 bilhões, contando com déficit orçamentário de R$ 2,97 bilhões previstos para 2017, agitou o setor bancário brasileiro.

O banco estatal, que atualmente conta com R$ 6,47 bilhões de patrimônio líquido e uma carteira de ativos de R$ 30,14 bilhões, é considerado um bom ativo para venda pelo mercado, mas questões como a viabilidade legislativa e o forte regionalismo gaúcho podem barrar a operação.

“O banco não está mal financeiramente falando, ele dá lucro, o problema está no seu Estado gestor, o Rio Grande do Sul. Se tirar o aspecto do orgulho Estadual, vender o banco seria juntar a fome com a vontade de comer: é um ativo bom e há necessidade do Estado de fazer dinheiro, poderia ser uma boa saída para o Estado”, comentou o analista da Austin Ratings, Luis Santacréu.

De acordo com o economista, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em contabilidade pública do Estado, Darcy Carvalho dos Santos, apesar da situação financeira do Rio Grande do Sul estar bastante ruim, a venda do Banrisul não adiantaria.

“Não vejo a venda do Banrisul uma solução, porque o dinheiro que entrasse iria ser usado para pagar algumas dívidas, mas o problema estrutural, que é a folha de pagamento grande demais e a previdência que cresce, permaneceria”, diz Santos.

Na opinião de Max Bonn, analista da Empiricus Research, o Estado do Rio Grande do Sul conseguiria abarcar R$ 5 bilhões com a venda do banco, uma vez que é dono de 57% do total da instituição. Na opinião de Santacreu, a venda poderia valer um total de R$ 14 bilhões, o que significaria até R$ 7 bilhões para o Estado.

Para ser vendido, o governo de José Ivo Sartori teria de levar o assunto para a Assembleia Legislativa do Estado, que deveria alterar uma parte de legislação que exige um plebiscito nos casos de venda de ativos públicos.

“É bem difícil isso passar na Assembleia, a questão do orgulho regionalista e da força do nome do Banrisul é grande”, disse Bonn.

Lado do mercado

Do lado do mercado brasileiro, dizem os analistas, a venda seria interessante para o Santander Brasil e para o Itaú Unibanco, uma vez que o Bradesco está impedido pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de fazer novas aquisições no setor até 2018 por conta da compra do HSBC.

“Vários estrangeiros poderiam gostar desse tipo de operação de varejo de grande escala, principalmente os chineses, eles queriam algo com escala. Uma vez aprovada, a operação não encontraria dificuldade em arrumar um comprador”, disse Bonn. Para Santacreu, o Santander Brasil, já dono do Meridional na região, seria o comprador com maior potencial dentro dos bancos privados.

A situação do Banco do Brasil, diz Santacreu, também não está propícia para uma aquisição, mas isso poderia entrar no radar do banco. “Seria uma saída política boa, ele deixar de ser estadual e passar a ser federal, isso seria mais fácil de passar na Assembleia Legislativa gaúcha. Depende das negociações entre o Estado e o governo federal”, disse Santacreu.

Em coletivas, tanto o presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, quanto o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setúbal, informaram que ficarão de olho caso o banco entre no mercado para venda.

Edição: Eduardo Puccioni (e.puccioni@cma.com.br)

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