Ouça o Agência CMA Podcast de 5 de abril

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Olá ouvinte do Agência CMA Podcast, eu sou Gustavo Nicoletta, editor-chefe da agência, e este é o resumo da semana.

O destaque desta semana foram os altos e baixos do governo na articulação política da reforma da Previdência.

Depois da trégua entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, a expectativa era de que o clima no Congresso seria menos hostil às propostas do Planalto, facilitando a tramitação da reforma.

No início da semana, porém, começaram a surgir notícias de que a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, a CCJC, poderia desidratar a proposta oficial – algo que era esperado para mais tarde, apenas quando o projeto chegasse à comissão especial que analisará o mérito das medidas.

Além disso, na quarta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi à CCJC e teve de enfrentar praticamente sozinho as críticas e ataques da oposição, que se fez numerosa durante a audiência, embora seja um bloco minoritário na Câmara.

Com isso, em várias ocasiões o debate entre Guedes e os deputados descambou para a troca de farpas e até mesmo de ofensas.

No dia seguinte, o presidente Jair Bolsonaro resolveu dar uma sinalização mais forte de que está pessoalmente envolvido na promoção da reforma e se reuniu com os presidentes de seis partidos para falar sobre as mudanças na Previdência.

Os políticos indicaram que apoiarão a reforma, mas se negaram a assumir o compromisso de fazer parte de uma base aliada ao governo. Além disso, o presidente do MDB, Romero Jucá, disse mais especificamente que a sigla apoia a reforma, mas rejeita alguns pontos dela – como as alterações nas regras para as aposentadorias rural e de professores.

No exterior, o divórcio trabalhoso entre o Reino Unido e a União Europeia foi o assunto mais relevante. O parlamento britânico rejeitou novamente todas as opções disponíveis para a separação – batizada de Brexit – e agora a expectativa é de que as negociações sejam estendidas para pelo menos até 22 de maio.

Apesar dos problemas na Europa, contribuiu para animar os mercados ontem a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que um acordo comercial com a China pode ser apresentado dentro de quatro a seis semanas – o que encerraria o longo período de incertezas ligadas às duas principais economias do mundo.

Na próxima semana, no Brasil, os investidores devem ficar atentos aos dados sobre as vendas no varejo, na terça-feira, e a inflação de março, na quarta-feira.

No lado político, o evento mais relevante deve ser a apresentação do parecer sobre a reforma da Previdência na CCJC, esperada para terça-feira. O documento indicará se o texto será desidratado já nesta fase, e a expectativa é de que a decisão final da comissão seja tomada na semana seguinte, em 17 de abril.

Vale destacar também a reunião da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, com embaixadores de países árabes na quarta-feira. A iniciativa ocorre em meio a receios de que a aproximação do Brasil com Israel nos últimos meses possa ter prejudicado a relação comercial do país com as nações muçulmanas.

No exterior, o dia mais relevante deve ser quarta-feira, quando será divulgada a decisão do Banco Central Europeu, o BCE, sobre os juros. Também será publicada a ata da mais recente reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

O BCE surpreendeu os mercados na última reunião ao anunciar a reabertura de uma linha de financiamento para os bancos, e desta vez o foco estará na avaliação das autoridades sobre a economia e em potenciais mudanças no discurso da instituição a respeito da permanência dos estímulos monetários.

No caso da ata do Fed, o elemento mais importante será a análise em torno da disposição do banco central dos Estados Unidos em permitir que a inflação fique acima da meta de 2% ao ano por um certo tempo, além da busca por mais detalhes sobre a redução do balanço da instituição.

Também na quarta-feira está prevista uma reunião extraordinária da União Europeia para discutir o Brexit. No encontro será debatido se o Reino Unido terá um prazo maior para aprovar um acordo de separação com o bloco.

Como já foi dito, a expectativa é de que o prazo seja prorrogado até 22 de maio, mas se a extensão for rejeitada os britânicos terão até a próxima sexta-feira para evitar um rompimento sem acordo entre o Reino Unido e a União Europeia.

Com isso eu encerro o nosso boletim semanal. Boa semana, bons negócios.

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