Planalto rebate acusações contra chefia de Temer no “quadrilhão”

12/09/2017 15:22:45

Por: Allan Ravagnani / Agência CMA

São Paulo – “Facínoras roubam do país a verdade. Bandidos constroem versões ‘por ouvir dizer'”, disse a Secretaria de
Comunicação da Presidência da República (Secom) ao responder, em nota oficial, às notícias sobre a conclusão do inquérito no qual a Polícia Federal aponta indícios da liderança do presidente Michel Temer no “quadrilhão” do PMDB, que desviou recursos e praticou crimes.

Segundo a imprensa, o relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu que o chamado “quadrilhão” do PMDB na Câmara recebeu R$ 31,5 milhões em vantagens por participar da organização criminosa formada por políticos na Petrobras e na administração federal, conforme o noticiário.

A PF indicou Temer, os ex-presidentes da Câmara – Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves – o ex-ministro Geddel Vieira Lima (hoje preso) e os atuais ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha pela ramificação do PMDB da Câmara.

Os R$ 31,5 milhões foram pagos, segundo a PF, por atividades ilícitas – R$ 10 milhões pela Odebrecht, R$ 20 milhões pela diretoria de Internacional da Petrobras pelo contrato PAC SMS. Outro R$ 1 milhão foi entregue ao coronel João Baptista Lima Filho, amigo pessoal do presidente, e R$ 500 mil foi recebido por Temer via Rodrigo Rocha Loures.

A PF considerou que os investigados possuem poder sobre os demais membros do grupo e capacidade de repartir o dinheiro obtido através de práticas ilícitas como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e evasão de divisas.

Veja a íntegra da nota do governo:

“O Estado Democrático de Direito existe para preservar a integridade do cidadão, para coibir a barbárie da punição sem provas e para evitar toda forma de injustiça. Nas últimas semanas, o Brasil vem assistindo exatamente o contrário.

Garantias individuais estão sendo violentadas, diuturnamente, sem que haja a mínima reação. Chega-se ao ponto de se tentar condenar pessoas sem sequer ouvi-las. Portanto, sem se concluir investigação, sem se apurar a verdade, sem verificar a existência de provas reais. E, quando há testemunhos, ignora-se toda a coerência de fatos e das histórias narradas por criminosos renitentes e persistentes. Facínoras roubam do país a verdade. Bandidos constroem versões “por ouvir dizer” a lhes assegurar a impunidade ou alcançar um perdão,  mesmo que parcial, por seus inúmeros crimes. Reputações são destroçadas em conversas embebidas em ações clandestinas.

Muda-se o passado sob a força de falsos testemunhos. Vazamentos apresentam conclusões que transformam em crimes ações que foram respaldas em lei: o sistema de contribuição empresarial a campanhas políticas era perfeitamente legal, fiscalizado e sob instrumentos de controle da Justiça Eleitoral. Desvios devem ser condenados, mas não se podem criminalizar aquelas ações corretas protegidas pelas garantias constitucionais.”

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República

Edição: Eliane Leite (e.leite@cma.com.br)

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