Perspectiva econômica está cada vez pior na zona do euro, diz Draghi

Mario Draghi
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), . (Foto: Divulgação/BCE)

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – As perspectivas para a economia da zona do euro estão cada vez piores, refletindo incertezas externas, mesmo que ainda existam fatores positivos no cenário doméstico, afirmou o presidente da instituição, Mario Draghi, em coletiva de imprensa, após reunião de política monetária.

“As informações recebidas desde a última reunião do Conselho do BCE no início de junho indicam que, enquanto ganhos adicionais de emprego e salários crescentes continuam a sustentar a resiliência da economia, o abrandamento da dinâmica do crescimento global e o fraco comércio internacional continuam a pesar nas perspectivas da zona do euro”, disse.

Segundo ele, “ainda há sinais de força na economia, mas a perspectiva econômica está cada vez pior”. Ele citou que a possibilidade de um Brexit sem acordo como um fator que pode piorar as perspectivas. Além disso, a presença prolongada de incertezas está pesando em especial no setor industrial da zona do euro.

Draghi afirmou que os dados recebidos desde junho apontam para um crescimento um pouco mais lento no segundo e terceiro trimestres deste ano. Assim, “ainda é necessário um amplo grau de acomodação monetária para manter a convergência sustentada da inflação para níveis abaixo, mas
próximos, de 2% no médio prazo”.

“Os riscos em torno das perspectivas de crescimento da zona do euro permanecem inclinadas para o lado negativo, refletindo a presença prolongada de incertezas, relacionadas com fatores geopolíticos, a crescente ameaça do protecionismo e vulnerabilidades nos mercados emergentes”, acrescentou ele.

Ao mesmo tempo, os níveis de atividade nos setores de serviços e construção são resilientes e o mercado de trabalho ainda está melhorando na zona do euro. Além disso, os elementos que apoiam o consumo seguem resilientes, como crescimento dos salários, o que afasta o risco de recessão. “As chances de recessão são muito baixas”, disse Draghi.

Por fim, ele afirmou que se a situação econômica piorar, a política fiscal será essencial. Ele citou o enfraquecimento da indústria alemã, importante para a economia do país, o que se espalha para toda a zona do euro, no que chamou de choque idiossincrático. “A política fiscal é mais e mais importante na medida em que as perspectivas pioram”.

INFLAÇÃO

Com relação à inflação, Draghi disse que o BCE não está satisfeito com a atual taxa, que segue abaixo da meta de perto de 2% e deve cair ainda mais nos próximos meses.

“Na frente de inflação, não estamos gostando do que estamos vendo”, disse. A taxa de inflação da zona do euro subiu para 1,3% em junho em base anual, de 1,2% em maio. “Não vamos aceitar inflação mais baixa do que temos hoje”, afirmou.

Segundo ele, é preciso ser persistente e paciente em buscar a meta de inflação. “Embora as pressões de custos trabalhistas tenham se fortalecido e ampliado em meio a altos níveis de utilização de capacidade e de aquecimento nos mercados de trabalho, o repasse de pressões de custos para a inflação está demorando mais do que o previsto anteriormente”, disse.

Draghi ressaltou que o comunicado de política monetária do BCE trouxe uma novidade com relação à inflação, pois destacou a simetria da meta. “Isso significa que não há teto de 2%”, disse. Para o futuro, ele disse que os
preços devem cair nos próximos meses.

“Com base nos atuais preços futuros do petróleo, é provável que a inflação cheia caia nos próximos meses, antes de subir novamente no final do ano”, afirmou ele. “

Analisando a recente volatilidade devido a fatores temporários, as medidas do núcleo de inflação permanecem em geral fracas. Os indicadores das expectativas de inflação diminuíram”, disse. Segundo Draghi, o núcleo da inflação deve acelerar no médio prazo, apoiado por “medidas de política monetária, pela expansão econômica em curso e pelo forte crescimento dos salários”.

PRÓXIMOS PASSOS

Draghi afirmou que o Conselho do banco não discutiu a adoção de mudanças em sua política monetária hoje, e que quer analisar as projeções econômicas para a zona do euro antes de realizar qualquer alteração.

“Não discutimos escala de possível corte das taxas e compra de ativos”, disse ele, em coletiva de imprensa. “Queremos ver novas projeções econômicas antes de adotar qualquer ação”, afirmou. As projeções econômicas do BCE serão divulgadas na próxima reunião do Conselho, em setembro.

Segundo Draghi, a decisão de hoje representou um passo à frente sobre as medidas de política monetária, e há convergência de opiniões mais do que unanimidade entre os membros do Conselho.

O presidente do BCE destacou que, se o corte de juros vier, será com medidas de mitigação, como descrito no comunicado, e que não há a exclusão de nenhum instrumento de política monetária.

Mais cedo, o BCE manteve suas principias taxas e disse que os juros podem ser mais baixos do que os níveis atuais até o primeiro semestre de 2020, ante previsão anterior de manutenção nos níveis atuais. O banco também disse que estuda opções para reforçar orientações futuras e reiniciar compras de ativos.

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