Parlamento britânico não consegue maioria para qualquer opção ao Brexit

São Paulo – O parlamento britânico não conseguiu maioria para as oito propostas ao processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado Brexit. A rejeição às alternativas para a separação acontece após os legisladores barrarem duas vezes o acordo firmado pela primeira-ministra Theresa May e pelas autoridades europeias.

Em uma tentativa de conseguir apoio ao seu acordo, May disse que apresentaria renúncia caso o pacto do Brexit seja aprovado. A oferta aconteceu depois de, na segunda-feira, os parlamentares britânicos decidirem ampliar os próprios poderes sobre o Brexit e definir o que iriam votar.

Hoje estavam em jogo propostas como uma saída sem acordo, que já havia
sido rejeitada em votação anterior; o chamado mercado comum 2.0, que previa que o Reino Unido mantivesse laços com a UE mesmo sem fazer parte do bloco e outra opção que incluiria o Reino Unido no Espaço Econômico Europeu. Todas as opções foram barradas.

Além dessas propostas, os legisladores britânicos também recusaram o plano alternativo do Partido Trabalhista, que previa acordos com a UE e alinhamento às normas definidas pelo bloco. Também votaram contra a
revogação do artigo 50 do Tratado de Lisboa que, na prática, interromperia o Brexit; rejeitaram um segundo plebiscito sobre a separação assim como planos de contingência com a UE, o que permitiria acordos pontuais com o bloco caso o acordo de May não seja aprovado.

A votação de hoje mostrou a dificuldade de romper o impasse do Brexit no
parlamento britânico. Os legisladores devem votar novamente na segunda-feira em uma tentativa de alcançar consenso sobre o tipo de separação que poderia ganhar o apoio do parlamento. Não está claro, no entanto, se os votos, que não são vinculativos, provocarão uma mudança na política do governo.

PLACAR DA VOTAÇÃO

Por 400 votos a 160, os parlamentares britânicos se opuseram ao Brexit sem
acordo. As duas opções que estavam mais próximas de garantir a maioria eram ficar na união alfandegária da UE depois do Brexit, que ganhou 264 votos com 272 contra, e um segundo plebiscito sobre qualquer acordo, que garantiu 268 votos a favor e 295 contra.

Outros votos mostraram 188 legisladores a favor de permanecer na união
alfandegária e no mercado único, com oposição 288 parlamentares. Apenas 65 votaram a favor de uma opção que teria mantido o Reino Unido no mercado único da UE após o Brexit, com 377 em oposição. A proposta para cancelar o Brexit fracassou por 184 votos a 293.

O plano do Partido Trabalhista foi rejeitado por 307 a 237, enquanto a
proposta que previa um arranjo ao Brexit recebeu 422 votos contrários e 139 em favor.

O IMPASSE

Em resposta ao impasse, os líderes europeus concordaram este mês em adiar o prazo do Brexit de 29 de março para 22 de maio caso o acordo aprovado entre Londres e Bruxelas seja aprovado pelo parlamento britânico.

Se o Reino Unido não ratificar o acordo de divórcio, deve deixar o bloco
europeu em 12 de abril, embora os líderes europeus possam adotar uma segunda extensão, muito mais longa, se os legisladores britânicos estiverem dispostos a se unir em torno de outra abordagem.

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