Parceria com Boeing fortalecerá Embraer, dizem especialistas

05/07/2018 17:40:18

Por: Leandro Tavares / Agência CMA (leandro.tavares@cma.com.br)

Edifício sede da Boeing. (Foto: Divulgação/Boeing)

São Paulo – A parceria anunciada entre a Embraer e a Boeing para a criação de uma joint venture para a área de aviação comercial foi bem recebida pelos especialistas, já que a iniciativa permitirá um fortalecimento das vendas e da cadeia de fornecedores, além de agregar novas tecnologias.

“A abertura de uma empresa de joint venture entre a Embraer e Boeing pode fortalecer o poder das vendas da empresa brasileira, além de agregar novas tecnologias”, disse o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira.

Para a analista de Investimentos da DMI Group, Beatriz Martins, a operação é positiva para a Embraer e estratégica para as empresas já que a combinação de negócios deve aumentar o potencial de vendas e criar mais valor aos seus clientes, com um portfólio de produtos sinérgicos e uma rede de assistência mais eficiente.

“A Boeing vê na nova família de jatos comerciais da Embraer, chamada de E2, a possibilidade de crescimento orgânico. Do lado da Embraer, surge a possibilidade de ganhar um pedaço do mercado de jatos regionais de menos de 130 lugares, antes liderado pelo duopólio Boeing e Airbus”, diz Beatriz.

Em relação à cadeia de fornecedores local, existe a preocupação ao ampliar o acesso ao mercado internacional, já que as empresas brasileiras poderiam perder espaço para a concorrência internacional. No entanto, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) vê a iniciativa de forma diferente.

“A ABDI, que já trabalha em parceria com a Embraer, entende que o acordo é uma oportunidade para o fortalecimento da cadeia de fornecedores, posicionando as nossas empresas de forma mais competitiva no mercado global”, explica o presidente da entidade, Guto Ferreira.

Mais cedo, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo Oliveira, comentou sobre o tema e disse que a criação da joint venture é vista como positiva, uma vez que a aquisição da Bombardier pela Airbus desequilibra o mercado e deixa espaço para Embraer competir e que, por isso, a associação com a Boeing é uma boa solução.

Segundo ele, a instituição participou da discussão com o governo sobre a parceria, mas que não tinha conhecimento prévio dos detalhes.

A transação é avaliada por 100% das operações e serviços de aviação comercial brasileira, o equivalente a US$ 4,75 bilhões. A Boeing pagará US$ 3,8 bilhões para ter uma fatia de 80% na joint venture.

A expectativa é que a parceria proposta seja contabilizada nos resultados da Boeing no início de 2020, gerando uma economia de custo de US$ 150 milhões (antes de impostos) anualmente até 2022.

Deixar um comentário