Paciência com política monetária vai durar por algum tempo, diz ata do Fed

Federal Reserve
Prédio do Federal Reserve em Washington (Federal Reserve/Divulgação)

Por Cristiana Euclydes e Carolina Pulice

São Paulo – A atual postura paciente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve ser mantida “por algum tempo”, mesmo se as condições econômicas dos Estados Unidos melhorarem, de acordo com a ata da reunião mais recente do comitê de política monetária da instituição, terminada no dia primeiro de maio.

“À luz da evolução econômica e financeira global, bem como das pressões inflacionárias moderadas, os participantes concordaram em geral que uma abordagem paciente para determinar os ajustes futuros do intervalo para a taxa de juros permanece adequada”, diz a ata.

“Os participantes notaram que, mesmo que a economia global e as condições financeiras continuem a melhorar, uma abordagem paciente provavelmente permanecerá justificada, especialmente em um ambiente de contínuo crescimento econômico moderado de pressões inflacionárias suaves”, de acordo com o documento.

Na reunião, o comitê manteve a taxa de juros na faixa entre 2,25% e 2,5%, e o presidente do Fed, Jerome Powell, indicou na coletiva de imprensa que não vê motivos para mover os juros em qualquer direção, destacando que a inflação fraca se deve a fatores temporários.

Além disso, as discussões sobre a composição do portifólio do balanço de ativos do Fed foram retomadas na reunião. Os membros do comitê discutiram dois cenários, um no qual a carteira de ativos do Fed consiste em títulos de longo e curto prazo e outro com apenas de títulos de curto prazo. “Os participantes discutiram os benefícios e os custos de composições alternativas de portfólio”, diz a ata.

“Em sua discussão sobre uma carteira de maturidade mais curta, muitos participantes notaram a vantagem do aumento da capacidade para o Federal Reserve para conduzir um programa de extensão de maturidade, que poderia ser útil em prover de acomodação política em uma recessão econômica futura”, segundo o documento.

INFLAÇÃO

A ata mostra ainda que os membros tiveram interpretações diferentes sobre a taxa de inflação abaixo da meta. Muitos membros veem a taxa de inflação fraca como temporária, e os participantes anteciparam que uma abordagem mais paciente para ajustes políticos “foram consistentes com a expansão sustentada pela atividade econômica, condições de um forte mercado de trabalho e a inflação próxima ao objetivo simétrico do Comitê”.

O texto também indica que poucos membros temem que as pressões da inflação podem acelerar rapidamente. “O Comitê pode precisar se manter na posição de política monetária para sustentar a expansão econômica e manter a inflação em níveis consistentes com o objetivo, ou o Comitê vai precisar ficar atento à possibilidade de que a pressão de inflação pode acelerar em um ambiente de utilização restrita de recursos”.

Poucos membros acham que a inflação fraca dá espaço para a economia, afirmando que a expansão da atividade econômica, o forte mercado de trabalho e a inflação próxima do objetivo simétrico de 2% são os resultados mais prováveis para a economia dos Estados Unidos.

Além disso, os membros do Fed viram grandes riscos para a inflação. “Vários participantes comentaram que se a inflação não mostrar sinais de alta nos próximos trimestres, há um risco de que as expectativas de inflação fiquem ancoradas em níveis menores do que o objetivo simétrico de 2% – um desenvolvimento que pode tornar mais difícil para alcançar o objetivo de 2% em uma base sustentável no longo prazo”.

ECONOMIA

Com relação à economia, os membros vêem menos riscos vindos do mercado externo. “Um número de participantes observaram que alguns dos riscos e incertezas que cercaram suas perspectivas no início do ano haviam moderado-se, incluindo as relacionadas com a perspectiva econômica global, com o Brexit, e com as negociações comerciais”, diz a ata.

Segundo o documento, para alguns participantes os riscos à economia norte-americana caíram “em parte devido à diminuição nas perspectivas de uma forte desaceleração do crescimento econômico global, particularmente na China e na Europa”. Mesmo com as melhorias, a maioria dos participantes observou que riscos para as perspectivas permanecem.

A ata diz ainda que, desde a reunião anterior, a atividade econômica do país cresceu em uma taxa sólida. Os ganhos de emprego foram fortes e a taxa de desemprego permaneceu baixa, enquanto o crescimento dos gastos das famílias e investimento fixos de empresas diminuíram no primeiro trimestre.

Assim, alguns membros disseram que o crescimento forte do primeiro trimestre deve ser temporário, uma vez que os ganhos fortes em estoques e exportações devem ser insustentáveis. Por outro lado, alguns disseram que o crescimento em 2019 deve ser mais forte do que inicialmente previsto, devido à leitura do primeiro trimestre.

Por fim, “a melhoria das condições financeiras foi considerada por muitos participantes como fornecendo suporte para as perspectivas de crescimento econômico e emprego”. A ata diz ainda que poucos participantes sugeriram que o aumento da alavancagem e os encargos da dívida poderiam tornar o setor empresarial mais sensível a crises econômicas.

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