Número de famílias endividadas sobe em junho, no maior nível em seis anos, aponta CNC

Por Flávya Pereira

São Paulo – O número de famílias endividadas subiu 0,6 ponto percentual (pp) em junho na comparação com maio, pelo sexto mês consecutivo, enquanto ante junho de 2018, o dado subiu 5,4 pp. Com isso, o número de famílias inadimplentes chega a 64,0%, maior patamar desde julho de 2013, quando registrou 65,2%, informou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O presidente do CNC, José Roberto Tadros, avalia que, apesar das altas sucessivas do percentual de endividados, o comprometimento médio de renda com o pagamento de dívidas ficou estável, comparado a 2018, assim como o percentual de famílias que se consideram muito endividadas. Além de mudanças no perfil das dívidas.

“É possível observar uma melhora no perfil do endividamento, com maior participação de modalidades de crédito que apresentam menor custo, prazos mais longos e garantias atreladas à sua concessão. Observamos o crescimento de dívidas com o financiamento de carro e de casa, tipos de dívidas que possuem menor risco de inadimplência”, observa.

O cenário reflete as condições ainda favoráveis de juros e prazos, demonstrando uma melhora no perfil das dívidas. O índice das famílias que declararam que não teriam condições de pagar suas dívidas e permaneceriam inadimplentes ficou estável na comparação mensal, em 9,5%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, as famílias se mostraram menos otimistas em relação à capacidade de pagamento, com crescimento de 0,1 pp.

Quanto ao nível de endividamento, a proporção das famílias que se declararam muito endividadas aumentou na passagem de maio para junho, de 12,9% para 13,0%. Na comparação anual, houve estabilidade. A parcela das famílias mais ou menos endividadas subiu de 22,4% para 23,1%, mas o destaque é para o crescimento das famílias que se declararam pouco endividados, de 23,2% para 27,6% em junho.

O cartão de crédito foi a principal dívida apontada por 78,8% das famílias inadimplentes, seguido por carnês (15,8%) e financiamento de carro (10,8%). Entre as rendas, as famílias com até dez salários mínimos concentram a inadimplência no cartão de crédito (79,4%), seguido por carnês (16,9%). Já as famílias com renda acima de dez salários 3 mínimos têm como principais dívidas o cartão de crédito (76,6%), financiamento de carro (19,2%) e o financiamento de casa (16,9%)

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