Ninguém no mundo tem moral para dizer como lidar com Amazônia, diz Bolsonaro

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro voltou a comentar sobre as críticas dirigidas às políticas do governo para o combate ao desmatamento da Amazônia, afirmando que nenhum país “tem moral” para dizer o que deve ser feito na região.

Presidente Jair Bolsonaro durante encontro com lideranças empresariais e cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Industrial São Paulo. (Foto: Alan Santos/PR)

“Hoje, pasmem, um grande jornal de fora do Brasil publicou uma matéria aventando a possibilidade de intervenção militar de fora no Brasil contra o Johnny Bravo, que sou eu, que está desmatando a Amazônia”, disse Bolsonaro, a respeito de um artigo de Stephen Martin Walt, professor de assuntos internacionais na Escola de Governo John F. Kennedy da Universidade de Harvard, publicado no site da revista “Foreign Policy”.

No artigo, Walt discorre sobre a hipótese de outros países invadirem o Brasil para preservar a Amazônia a fim de evitar uma catástrofe climática, e pondera que o Brasil seria o país mais exposto a este tipo de risco porque os outros potenciais alvos seriam os maiores emissores de gases causadores do efeito estufa – Estados Unidos, China, Rússia e Japão, todos eles potências militares e quase todos detentores de armas nucleares.

“O que eu quero e vou lutar é por Amazônia nossa. Ninguém no mundo tem moral para dizer para nós como devemos tratar nossa floresta”, acrescentou o presidente.

Ele também disse que “não existiu prazer maior” durante a reunião do G-20 (grupo que reúne economias mais industrializadas e países emergentes) do que conversar com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, “não da forma como queriam”, mas “para dizer para eles que Brasil está sob nova direção”.

“Convidei essa dupla da Europa a voar de Boa vista a Manaus e se fosse detectado um quilômetro quadrado que fosse de desmatamento, eu diria que eles têm razão”, afirmou.

No início de julho, dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicaram que o desmatamento na Amazônia pode ter crescido quase 88% em junho na comparação com o mesmo período do ano passado.
Bolsonaro disse que os dados eram mentirosos, questionou a credibilidade do então presidente do Inpe, Ricardo Galvão, e posteriormente o exonerou. Hoje, o presidente da República voltou a fazer referência ao caso, dizendo que “não podemos continuar tendo péssimos brasileiros ao nosso lado divulgando números mentirosos, fazendo campanha contra nossa pátria.”

FUNDO AMAZÔNIA

Outra polêmica do governo federal envolvendo a floresta diz respeito ao Fundo Amazônia – órgão gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que investe em ações contra o desmatamento e a favor da conservação da região.

De 2008 até o ano passado, o Fundo Amazônia recebeu R$ 3,4 bilhões em recursos, a maior parte deles vindos da Noruega (93,8%) e da Alemanha (5,7%), enquanto a Petrobras respondeu por 0,5% desse total. As doações são voluntárias e não são reembolsáveis – ou seja, o dinheiro não é devolvido aos doadores.

O gerenciamento do fundo era feito por dois colegiados – o Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa), integrado por representantes do governo federal, de Estados e da sociedade civil (incluindo ONGs), e pelo Comitê Técnico do Fundo Amazônia (Cifa), composto por especialistas independentes.

Ambos os órgãos, porém, foram extintos por decreto do presidente Jair Bolsonaro. Isso e declarações do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles sugerindo mudanças no funcionamento do fundo foram questionados pela Noruega e a Alemanha, os principais doadores, e abriram espaço para a possibilidade de o fundo ser extinto.

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