Ninguém leu nem fechou acordo entre Poderes, diz Maia

Por Gustavo Nicoletta

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, coordena reunião de líderes partidários. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

São Paulo – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que ninguém presente na reunião da semana passada para firmar o chamado pacto entre Poderes leu o documento que o Planalto apresentou. O acordo foi uma das razões que ajudou a fortalecer o Ibovespa e o real nos últimos pregões.

“Acho que o Onyx [Lorenzoni] avançou na informação sem uma construção política amarrada. Ele entregou um documento, ninguém leu, e ficou parecendo para a sociedade e a imprensa que a gente fechou aquele pacto em cima daquele texto. Zero de verdade nisso”, disse Maia em entrevista ao jornal “O Globo”.

Ele também confirmou que a ideia original do pacto veio do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e era algo baseado em “princípios”, e que o governo “veio com uma contraproposta mais política, mais ideológica”.

“Nós vamos estudar porque eu não posso assinar algo que eu não tenha apoio majoritário. Acho que a assinatura de um pacto de princípios entre os Três Poderes pode ser uma coisa interessante”, avaliou.

A entrevista ao “O Globo” também encerrou uma aparente trégua na troca de ataques entre Maia e o presidente Jair Bolsonaro.

O presidente da Câmara disse que as manifestações de 26 de maio foram “basicamente do governo atacando àqueles que podem ajudar a agenda do próprio governo” e que “um partido de 30 deputados [uma referência ao PSL, do presidente Jair Bolsonaro,] precisa ter uma aliança com um arco de partidos que tenham a mesma agenda.”

Maia também disse que “está faltando uma agenda para o Brasil” e que a reforma da Previdência – que ele apoia e ainda pretende colocar em votação antes do recesso da Câmara, em julho – “não é uma agenda, é uma reforma racional e necessária para equilibrar as contas públicas.”

“Ela não resolve qualidade na educação, médico no hospital, produtividade no setor público ou privado, crescimento econômico ou desemprego. O que precisamos é uma agenda para o Brasil. Previdência é uma necessidade. Agenda para o Brasil a gente ainda não viu formatada de forma ampla, completa, por esse governo”, afirmou.

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