Moro temia melindrar FHC com investigação, diz Intercept

Por Gustavo Nicoletta

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

São Paulo – O ex-juiz federal e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, demonstrou receios quanto à possibilidade de uma investigação contra Fernando Henrique Cardoso “melindrar” o ex-presidente, que oferecia um “apoio importante” à operação Lava Jato, afirmou o site Intercept citando uma troca de mensagens de 2017 entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol.

Segundo o site, um dia depois de o Jornal Nacional, da Rede Globo, divulgar reportagem afirmando que Fernando Henrique estaria sendo investigado pela Lava Jato por ter sido citado em delação premiada como um dos beneficiários de doações de campanha ilegais da Odebrecht, Moro questionou Dallagnol sobre o assunto.

O atual ministro teria perguntado se havia “alguma coisa mesmo séria do FHC” e mencionou que o crime de “caixa 2” – como é conhecido o financiamento não declarado de campanha eleitoral – teria ocorrido em 1996 e estaria “mais que prescrito”.

Dallagnol, por sua vez, respondeu que o caso foi enviado para São Paulo “sem se analisar prescrição” e supostamente isso teria sido feito “de propósito”, possivelmente para “passar recado de imparcialidade”. Moro teria respondido: “Ah, não sei. Acho questionável pois melindra alguém cujo apoio é importante.”

O Intercept vem publicando uma série de reportagens baseadas em mensagens que supostamente foram trocadas entre Moro e procuradores da força-tarefa da Lava Jato. As mensagens foram obtidas pelo site de uma fonte não identificada, e tanto Moro quanto os procuradores alegam que a autenticidade delas é questionável.

Nas reportagens anteriores, o Intercept publicou mensagens mostrando que Moro teria opinado sobre a ordem das operações planejadas pelo Ministério Público, repassado informalmente uma pista aos procuradores em sobre um caso relacionado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pontuado em certo momento que a força-tarefa da Lava Jato estava há muito tempo sem lançar operação e sugerido que os procuradores divulgassem nota apontando eventuais incoerências no depoimento de Lula à Justiça – algo fora do padrão.

Moro deve participar hoje, a partir das 9h, de uma audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para explicar as trocas de mensagens.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com