Ministros da União Europeia alertam sobre risco de tensões maiores entre Estados Unidos e Irã

Chefe da diplomacia da União Europeia (UE) Federica Mogherini. Foto: European External Action Service/European Commission

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – Os ministros de Relações Exteriores da União Europeia (UE) alertaram para os riscos do aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, ao mesmo tempo em que defenderam o acordo nuclear, ao chegarem à reunião dos ministros da pasta, em Bruxelas.

O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Hunt disse que teve boas discussões com o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, em sua visita a Londres na semana passada. “Estamos muito preocupados com o risco de um conflito acontecer por acidente” entre os Estados Unidos e o Irã. “Uma escalada não é intenção de nenhum dos lados”, afirmou.

“Acho que o que precisamos é de um período de calma para garantir que todos entendam o que é o outro lado está pensando. E acima de tudo, precisamos ter certeza de que não acabaremos colocando o Irã de volta caminho para a renuclearização”, disse Hunt, acrescentando que se o Irã fizer isso, seus vizinhos na região também o farão.

A chefe de Relações Externas da UE, Federica Mogherini, disse que o bloco continua a apoiar plenamente o acordo nuclear com o Irã e sua total implementação. “O acordo nuclear foi e continua a ser para nós um elemento chave da arquitetura de não proliferação, tanto globalmente quanto na região. Continuaremos a apoiá-lo o máximo que pudermos com todos os nossos instrumentos e toda a nossa vontade política”, disse ela.

O acordo nuclear, assinado em 2015 pelos Estados Unidos, Irã, França, Alemanha, Reino Unido, Rússia e China, visava a reduzir o programa nuclear de Teerã e mantê-lo para fins pacíficos, em troca do alívio de sanções econômicas. Os Estados Unidos saíram do pacto e reimpuseram sanções ao Irã em 2018.

Ao chegar à reunião, em Bruxelas, Mogherini disse que a posição da UE é muito bem conhecida, tanto em Washington quanto em Teerã. “Em algumas das questões, temos diferenças e divergências muito sérias. Sempre acreditamos que o diálogo é a única e melhor maneira de lidar com as diferenças e evitar a escalada na região, que já é bastante tensa. Qualquer escalada deve ser evitada”, concluiu.