Mercados registram volatilidade e cautela em semana de Fed e Copom

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Após passar o dia oscilando entre leves altas e quedas, o Ibovespa acelerou ganhos no fim do pregão puxado por ações dos setores de consumo e varejo, o que fez o índice encerrar com alta de 0,64%, aos 103.482,63 pontos. O dia, porém, foi marcado por cautela antes de uma semana carregada de eventos relevantes, como as reuniões do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima quarta-feira. O volume negociado foi de R$ 13,7 bilhões.

Para o CEO da WM Manhattan, Pedro Henrique Rabelo, o volume foi mais fraco hoje com investidores aguardando as decisões de política monetária dos bancos centrais. Ele destaca que são esperadas quedas de juros por parte do Copom e do Fed, mas que há dúvidas sobre os tamanhos do corte. “Para o Copom esperamos um corte de 0,50 ponto percentual, mas muitas casas estão esperando 0,25 ponto percentual. Se o corte for mais agressivo acredito que a Bolsa pode subir”, afirmou.

Entre as ações, as da Ambev (as da Ambev (ABEV3 3,54%) pesaram para o Ibovespa se firmar no campo positivo e foram as mais negociadas hoje, com os papéis ainda refletindo dados trimestrais positivos divulgados na semana passada e com investidores que estavam vendidos zerando posições, de acordo com um operador que preferiu não se identificar. As ações da Petrobras (PETR4 1,03%) foram outras que melhoraram ao longo dia, acompanhando os preços do petróleo, e ajudaram o índice a subir.

Ao lado da Ambev, as ações da BRMalls (BRML 4,70%) ficaram entre as maiores altas após a companhia informar que está em tratativas avançadas com o Fundo Imobiliário, administrado pela BTG Pactual, para a alienação de sua participação integral em sete shoppings, dentre eles, os Shoppings Ilha Plaza e Osasco Plaza Shopping.

Já os papéis da Via Varejo (VVAR3 4,63%) e do Magazine Luiza (MGLU2 4,68%) aceleraram ganhos no fim do dia. “Muita gente está apostando no setor, principalmente na Via Varejo, acreditando no novo comando da companhia e na renovação da gestão, assim como o Magazine Luiza fez um tempo atrás”, disse Rabelo. Ainda entre as maiores valorizações, ficaram as ações da Hypera (HYPE3 5,06%), também refletindo melhores resultados trimestrais.

Na contramão, as maiores baixas do índice foram das ações da Braskem (BRKM4 -2,04%), com recomendação negativa do Morgan Stanley, da Suzano (SUZB3 -1,705) e da Cosan (CSAN3 -1,34%).

Amanhã, analistas preveem mais um dia de pouca movimentação, porém, investidores devem acompanhar uma série de indicadores que devem ser divulgados no exterior, como os dados sobre renda e gastos pessoais de junho nos Estados Unidos, que serão publicados às 9h30 e podem trazer especulações sobre corte de juros. O dia também será de decisão do Banco do Japão (BoJ) e dos índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade dos setores industrial e de serviços da China.

O dólar comercial fechou em alta de 0,29%, no mercado à vista, cotado a R$ 3,7840 para venda, com investidores locais e estrangeiros abrindo uma semana carregada de notícias e de indicadores cautelosos quanto à decisão de política monetária dos Estados Unidos, com apostas altas de que o Federal Reserve (Fed) iniciará um ciclo de afrouxamento monetário, após mais de uma década.

“Investidores se posicionaram com cautela por conta de decisões de bancos centrais”, ressalta o analista da corretora Mirae Asset, Pedro Galdi. Ele acrescenta que o Fed e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) vão ditar o humor do mercado ao longo da semana.

A moeda estrangeira que sustentou alta por todo o pregão, chegando a renovar máximas a R$ 3,8010 (+0,74%), reduziu os ganhos na reta final dos negócios com a desaceleração da alta da moeda também no exterior. “E tivemos mais uma sessão de baixa liquidez”, acrescenta o operador de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek.

Para os analistas, o pregão de amanhã deverá seguir em compasso de espera e com investidores cautelosos à véspera da decisão de política monetária do banco central norte-americano, e aqui, também na quarta-feira.

“Vale lembrar que o comunicado do Fed sairá no meio da tarde, horas antes do Copom [às 18 horas]. A decisão nos Estados Unidos terá reflexos em meio aos negócios, já a do Copom apenas na quinta-feira”, diz um operador de câmbio de uma corretora nacional. Ele acrescenta que amanhã à tarde começa a guerra pela formação de preço da taxa Ptax – média das cotações do dólar apuradas pelo BC – de fim de mês, também na quarta-feira.

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