Mercado prevê criação de 195 mil vagas nos EUA em novembro

06/12/2018 16:18:21

Por: Carolina Gama / Agência CMA

Vista externa da Casa Branca (Divulgação Serviço Audiovisual da União Europeia)

São Paulo – O mercado de trabalho dos Estados Unidos criou 195 mil vagas em novembro, após abertura de 250 mil postos em outubro, e a taxa de desemprego se manteve inalterada em 3,7%, segundo analistas consultados pela Agência CMA.

Os dados são uma mediana produzida a partir das projeções dos economistas, que oscilam entre a criação de 115 mil e 215 mil vagas, enquanto as estimativas para a taxa de desemprego foram unânimes em 3,7%.

“Não há razões para acreditar que os dados de emprego de novembro virão mais fracos diante da força da economia norte-americana”, afirmou o economista do Société Générale, Klaus Baader.

O relatório de novembro é o último antes da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed) que encerra 2018 e que está marcada para os dias 18 e 19. Os analistas dão como certa a elevação da taxa de juros neste encontro, por isso, acreditam que os dados de emprego não devem alterar os planos do banco central norte-americano.

“O penúltimo relatório de emprego do ano e o último antes da reunião de política monetária de dezembro não deve provocar muita reação a não ser que os dados de salário superem em muito as estimativas do mercado positivamente ou negativamente”, disse o analista chefe de mercado da CMC Markets, Michael Hewson.

Projeções feitas pela Agência CMA mostram que o mercado espera uma leve aceleração dos ganhos por hora em novembro. Em base mensal, a alta média deve ser de 0,3%. Em base anual, a expectativa é de que o aumento médio seja de 3,2%.

Em outubro, o salário médio por hora no setor privado somou US$ 27,30, alta de 0,2% ante os US$ 27,25 registrados em setembro e aumento de 3,1% ante os US$ 26,47 de outubro de 2017.

“O nível de aquecimento do mercado de trabalho combinado com o aumento do salário mínimo anunciado pela Amazon no mês passado nos faz apostar em um avanço de 0,3% nos ganhos por hora em base mensal e de 3,2% em termos anuais. Se materializado, o ritmo de crescimento dos salários será o mais rápido em quase uma década”, afirmou o economista chefe do Wells Fargo para os Estados Unidos, Sam Bullard.

O crescimento dos salários nos Estados Unidos é uma questão determinante, junto com a inflação, para o ritmo de aperto monetário do país. Em sua última reunião, realizada em novembro, o Fed manteve a taxa de juros inalterada na faixa entre 2,00% e 2,25% ao ano, e deixou a porta aberta para mais um aumento, o quarto e último de 2018, este mês.

ADP

O índice de criação de vagas no setor privado, medido pela Automatic Data Processing (ADP) e pela Macroeconomic Advisers, também é outro dado observado pelo mercado, que passou a acompanhá-lo como uma espécie de prévia do
relatório mais amplo sobre o emprego elaborado pelo Departamento do Trabalho, que será divulgado amanhã.

Em novembro, o setor privado dos Estados Unidos criou 179 mil vagas de trabalho, excluindo o setor rural. Analistas esperavam uma abertura maior, de 190 mil vagas. Em outubro, o resultado foi revisado para baixo, passando de 227
mil vagas para 225 mil, segundo a ADP.

De acordo com o economista da Capital Economics, Andrew Hunter, a desaceleração na contratação sinalizada pela ADP foi impulsionada principalmente pela manufatura, que abriu apenas 4 mil postos. “Isso pode ser um sinal de que o enfraquecimento do cenário global está finalmente começando a pesar sobre o setor industrial”, afirmou.

“O crescimento do emprego no setor de serviços também desacelerou em novembro, mas permaneceu amplamente em linha com sua média recente. Com o crescimento geral do emprego ainda tendendo a mais de 200 mil postos por mês, a pressão descendente sobre a taxa de desemprego deve continuar”, acrescentou.

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