Mercado prevê criação de 169 mil empregos nos EUA em junho

Foto: Freeimages.com/ Lucía Pizarro Coma

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – O mercado de trabalho dos Estados Unidos criou 169 mil vagas de emprego em junho, após abertura de 75 mil postos em maio, e a taxa de desemprego ficou inalterada em 3,6%, segundo analistas consultados pela Agência CMA. Os números oficiais serão publicados na sexta-feira.

Os dados são uma mediana produzida a partir das projeções dos economistas, que oscilam entre a criação de 100 mil e 205 mil vagas, enquanto as estimativas para a taxa de desemprego variaram entre 3,5% e 3,6%.

As estimativas para a alta do salário médio por hora foram unânimes em 0,3% em base mensal e em 3,2% em termos anuais, mantendo-se em níveis próximos aos de maio. O ganho médio por hora somou US$ 27,83 em maio, aumento de 0,20% ante abril e de 3,1% ante maio de 2018.

“No geral, o mercado de trabalho começou a mostrar alguma fraqueza, por isso achamos que é importante ficar de olho no crescimento do emprego, que é um importante indicador de recessão, na nossa opinião”, disseram analistas do Danske Bank, em relatório.

Eles estimam que o aumento médio mensal de empregos criados nos Estados Unidos diminuiu para 164 mil este ano, de 223 mil em 2018. “Esperamos que o crescimento do emprego chegue a cerca de 175 mil em junho”, afirmaram.

Para os economistas da Capital Economics, 125 mil vagas de emprego foram criadas em junho e, como a economia os Estados Unidos deve continuar a desacelerar, o crescimento na abertura de vagas deve cair nos próximos meses, até culminar em uma estagnação total no quarto trimestre.

“Parte do abrandamento do crescimento do emprego é explicado pelas perspectivas obscuras para o setor industrial”, disseram eles. “Com o crescimento econômico global fraco e a guerra comercial pesando sobre as exportações, o emprego industrial provavelmente permanecerá estagnado no próximo ano”.

A Capital Economics prevê que a taxa de desemprego fique inalterada em 3,6% em junho, seu menor patamar desde a década de 1960. Com a constante desaceleração no crescimento do emprego, a taxa deve subir, alcançando 5,0% em 2021, de acordo com os economistas.

Para o vice-presidente da Scotiabank Economics, Derek Holts, a questão principal sobre a criação de empregos é se os dados fracos de maio foram excepcionais ou se representam um presságio do enfraquecimento que está por vir. Ele prevê a criação de 100 mil vagas em junho, citando o impacto negativo de tensões comerciais globais no mês.

“O impasse mexicano envolvendo o presidente norte-americano, Donald Trump, provavelmente interrompeu os planos de contratação no início do mês e enfraqueceu o a abertura de vagas no caminho para o período de referência, e a última rodada de tarifas sobre as importações chinesas começou em primeiro de junho”, disse Holts.

Além disso, medidas de contratação baseadas em pesquisas se deterioraram, segundo a Capital Economics, embora o subíndice de emprego de serviços do Instituto de Gerência e Oferta (ISM, na sigla em inglês) tenha se recuperado em maio e os pedidos de seguro-desemprego tenham permanecido baixos.

Outro indicador bastante observado pelo mercado como antecipação dos dados de emprego de sexta-feira é o de criação de vagas no setor privado, medido pela Automatic Data Processing (ADP) e pela Macroeconomic Advisers. O índice mostrou abertura de 102 mil postos de trabalho em junho, excluindo o setor rural. Analistas esperavam uma abertura maior, de 153 mil vagas. Em maio, o resultado foi revisado para cima, 27 mil para 41 mil.

Para a Capital Economics, os dados fracos da ADP para junho mostram que a deterioração da economia norte-americana chegou ao mercado de trabalho.

CORTE DE JUROS PELO FED

Novos números fracos de criação de empregos nos Estados Unidos podem levar o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) a cortar a taxa básica de juros do país, segundo os analistas consultados pela Agência CMA. Em junho, o Fed manteve a taxa de juros na faixa entre 2,25% e 2,50% ao ano.

“O relatório de emprego tende a ser uma série volátil, mas outros dados abaixo de 100 mil podem reforçar a expectativa do mercado de que o Fed reduza a taxa de juros em 0,50 ponto percentual (pp) em julho”, disseram analistas do Wells Fargo, em relatório.

“No entanto, uma surpresa positiva no crescimento do emprego prejudicaria as expectativas agressivas de redução de juros dos mercados”, segundo os analistas. Eles preveem a abertura de 175 mil postos de trabalho em maio, e taxa de desemprego em 3,6%. “A taxa mais lenta de melhora seria consistente com apenas um corte de 0,25 pp na reunião de julho do Fed”.

O economista do Société Générale, Klaus Baader, afirmou que o último relatório de emprego mostrou apenas um ganho de 75 mil, reforçando a especulação para cortes na taxa básica de juros nos Estados Unidos.

“O Fed está baseando potenciais ajustes de política [monetária] nos riscos ao invés de tendências atuais, e na inflação fraca ao invés de um crescimento menor, fornecendo a base para apenas um corte de juros de segurança”, disse Baader. “Para manter-se estável agora e restabelecer a paciência no Fed, vários eventos seriam necessários: certeza comercial, emprego sólido e expectativa de inflação crescente”.

Por fim, o economista da Capital Economics, Paul Asworth, destacou que “mesmo com as negociações sobre o comércio entre Estados Unidos e China de volta aos trilhos – pelo menos por agora – a evidência de uma desaceleração do crescimento do emprego ainda deve ser suficiente para convencer o Fed a cortar a taxa em julho ou setembro”.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com