MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Gustavo Nicoletta, FLavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa abriu o pregão em baixa seguindo o movimento das bolsas internacionais, que recuam após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar intensificar a taxação de produtos importados da China, revivendo a preocupação com uma guerra comercial entre os dois países.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 1,02% aos 95.026,45 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,7 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava retração de 1,09% aos 95.510 pontos.

Em sua conta oficial no Twitter, Trump rejeitou a tentativa da China de renegociar os termos do acordo comercial proposto pelos Estados Unidos. Ele também indicou que vai manter a tarifa de importação de 25% sobre US$ 50 bilhões em produtos de alta tecnologia vindos da China e disse que até sexta-feira elevará de 10% para 25% a alíquota sobre outros US$ 200 bilhões em produtos chineses.

Trump também ameaçou taxar em 25% os demais US$ 325 bilhões em bens da China vendidos aos Estados Unidos. “O acordo comercial com a China continua, mas muito vagarosamente, porque eles tentam renegociar. Não!”, disse o presidente dos Estados Unidos em sua conta no Twitter.

A declaração de Trump foi feita dias antes de uma delegação da China viajar aos Estados Unidos para continuar as negociações comerciais. Em entrevista coletiva concedida hoje, um representante do Ministério de Relações Exteriores chinês disse que uma equipe do governo está se preparando para viajar aos Estados Unidos para “consultas”, mas não especificou quando essa visita acontecerá.

O ressurgimento da tensão entre os Estados Unidos e a China deixou em segundo plano o sinal de aumento na tensão entre a ala militar e a ala civil do governo federal.

O general Santos Cruz, ministro da Secretaria do Governo, tornou-se alvo de críticas no fim de semana depois de ressurgir nas redes sociais uma entrevista dele ao jornal “O Estado de S. Paulo” em que ele falou sobre disciplinar o uso das redes sociais.

Os ataques vieram inclusive de Olavo de Carvalho, tido como uma pessoa influente sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro e crítico conhecido dos quadros militares do Planalto. “O Santos Cruz está exigindo o controle da Internet. O Bebiano [sic] caiu por muito menos”, afirmou Carvalho, em referência a Gustavo Bebianno, que antecedeu Santos Cruz no cargo.

Bolsonaro disse em sua conta no Twitter que no seu governo não haveria regulamentação sobre a mídia nem sobre as redes sociais. Ontem, ele se reuniu com Santos Cruz no Palácio da Alvorada e o ministro deixou o encontro sem conversar com jornalistas, de acordo com informações divulgadas por veículos da imprensa.

Segundo o estrategista-chefe Adeodato Volpi Netto, da Eleven Financial Research, “hoje é dia em que no Brasil questões internas não fazem diferença nenhuma” e “a bolsa tende a penar”. “O mercado, que é evidentemente precificador de risco, vai ler [as declarações de Trump] e se comportar pensando na sua própria assimetria, para onde estão os riscos, de uma maneira muito clara”, disse ele.

“Esse momento de aquecimento de novo, desse assunto Estados Unidos-China, vem logo depois de o S&P 500 romper máxima histórica. Tem muita gordura para queimar aí dentro. É um fator de risco que parecia baixado, e volta num momento que tem uma realização de lucro importante. Olhando no curtíssimo prazo, no começo desta semana, não tem como reagir ou imaginar os principais mercados reagindo de maneira positiva”, avaliou.

Ele acrescentou que este fator inesperado vindo do exterior deve inclusive ofuscar as discussões sobre a reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados nos próximos dias, visto que o projeto ainda está em fase de acolhimento de emendas e deve levar tempo até a apresentação de um parecer.

“Vai ser uma semana dura, complexa. Se houver reunião entre Estados Unidos e China, se houver alguma notícia positiva, alguma sinalização positiva, está ótimo. Por outro lado, ainda que se tenha um endurecimento do discurso [do presidente norte-americano], não se leva o Trump muito ao pé da letra mais. É muito mais olhar para a acomodação dos humores do que qualquer outra coisa”, disse o estrategista.

O dólar comercial desacelerou a alta exibida desde a abertura dos negócios em dia de apreensão no mercado global com a volta das tensões em torno da guerra comercial entre Estados Unidos e China, chegando a renovar mínimas. O ambiente segue de aversão ao risco no exterior contaminando os ativos locais após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a cobrança de tarifas passando de 10% para 25% de produtos chineses.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,40%, sendo negociado a R$ 3,9560 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em junho de 2019 apresentava avanço de 0,39% cotado a R$ 3,963.

“Essas variações são corretivas e normais, tendo a ver com fluxo também. A tendência é que essa alta seja sustentada ao longo do pregão, oscilando entre R$ 3,96 e R$ 3,97”, comenta o analista da Toro Investimentos, Felipe Fernandes. Ele acrescenta que a decisão do presidente norte-americano parece ser uma “moeda de troca” para fechar acordo com os chineses visto que a economia norte-americana segue forte, sem abalos após o início da guerra comercial.

Os analistas da H.Commcor avaliam que se o exterior pode ser encarado de maneira clara como um ambiente rico em inseguranças e tensões, o cenário interno é visto como “bem mais nebuloso”, já que indefinições fazem com que a atenção do investidor se volte para a dúvida a respeito dos motivos da economia brasileira estar travando mesmo sabendo das grandes chances de aprovação da reforma da Previdência.

Para o analista, como o cenário político “segue morno” nos últimos dias, sem novidades em relação a reforma, a tensão comercial entre norte-americanos e chineses deverão ditar o rumo dos mercados nesta semana. Amanhã, porém, a Previdência deverá voltar à discussão na comissão especial da Câmara dos Deputados.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) apagaram o viés positivo e passaram a exibir oscilações estreitas, com as atenções dos investidores divididas entre o impacto no dólar da renovada tensão comercial entre Estados Unidos e China e as expectativas em torno da reforma da Previdência e da reunião de juros do Banco Central. 

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,45%, de 6,47% após ajustes da última sessão, na sexta-feira; o DI para janeiro de 2021 estava em 7,04%, de 7,06% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 8,14%, de 8,15%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 8,66%, de 8,68%, na mesma comparação.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com