MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Eduardo Puccioni, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – Após recuar 1,95% na mínima do dia, o Ibovespa sofreu um alívio nesta manhã com a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discute adiar por seis meses a imposição de tarifas sobre carros importados. O efeito dessa notícia sobre o índice é positivo, porém, o cenário político no Brasil dificulta o Ibovespa a subir.

“O principal driver do mercado hoje é a nova derrota do governo Bolsonaro na Câmara. Tiveram 307 votos contrários ao governo, algo perto do que precisam pra aprovar a reforma da Previdência. Estou falando da convocação do ministro da Educação [Abraham Weintraub] para explicar os cortes na educação”, explicou Thiago Tavares, analista de investimentos da Toro Investimentos.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,79% aos 91.362,56 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,7 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava queda de 0,56% aos 91.750 pontos.

O plenário da Câmara dos Deputados convocou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para falar hoje às 15h sobre o congelamento nos gastos da pasta – reflexo de um contingenciamento anunciado em março pelo governo federal.

A convocação é vista como mais um sinal de falta de articulação do governo na Câmara, visto que até então o Planalto vinha se esforçando para transformar eventuais convocações, que obrigam o ministro a comparecer, em convites, que permitem maior controle sobre quando as autoridades devem se apresentar aos deputados.

“Entre as ações, temos a Kroton caindo forte hoje com resultado vindo abaixo do esperado pelo mercado. Nesta manhã o papel da companhia liderou as perdas do Ibovespa com queda superior a 7%”, acrescentou Tavares, que disse ainda que, por outro lado, o positivo ficou com as ações da Vale que sobem mais de 1% acompanhando a alta de cerca de 2% no preço do minério de ferro.

Neste horário, a ação ordinária da Kroton (KRTO3) tinha desvalorização de 7,73%, enquanto o papel ON da Vale (VALE3) registrava avanço de 0,94%, mas chegou a subir mais de 1% pela manhã.

O lucro líquido da Kroton caiu 46,3% no primeiro trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2018, para R$ 250,4 milhões. O lucro líquido ajustado, por sua vez, que não considera investimentos em M&A e expansão, somou R$ 318,6 milhões no período, queda de 34,2%, impactado pelas despesas financeiras e amortização do intangível decorrentes da aquisição de Somos.

O dólar comercial tem alta firme frente ao real, mas reduz os ganhos exibidos no início dos negócios quando a moeda norte-americana operou acima de R$ 4,02. Apesar do ambiente de aversão ao risco, notícias de que os Estados Unidos podem adiar a cobrança a imposição de tarifas sobre carros importados.

Segundo informações da rede norte-americana CNBC, o presidente Donald Trump está discutindo adiar a cobrança de tarifas sobre automóveis importados por até seis meses, o que evitaria novos conflitos comerciais globais. Os rumores fizeram o dólar recuar abaixo de R$ 4,00 e melhorou o ambiente entre as moedas de países emergentes.

No início dos negócios, o forte clima de aversão ao risco após indicadores de vendas no varejo e da produção industrial na China despertar a leitura de desaceleração econômica do país asiático, o dólar acelerou a R$ 4,0230 (+1,15%).

“O dólar inaugurou um outro patamar hoje. Não só acompanha toda a tensão no exterior com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, elevam a desconfiança com a economia da China após os indicadores indicando desaceleração por lá, como tem os fatores internos. As notícias da política que não estão ajudando o ambiente doméstico”, comenta o operador de câmbio de uma corretora nacional.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,35%, sendo negociado a R$ 3,9910 para venda. No mercado futuro, o contrato de dólar com vencimento em junho de 2019 apresentava recuo de 0,32% cotado a R$ 3,966.

As taxas dos contratos futuros de juros seguem em alta, mas o movimento de colocação de prêmios perdeu força, em meio à desaceleração do dólar, que testa a faixa de R$ 4,00, sob influência do ambiente externo. A fragilidade da economia doméstica inibe o avanço dos DIs, mas as incertezas com o cenário político pesam.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,395%, nivelado ao ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 6,84%, de 6,85% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 tinha taxa de 8,00%, de 7,99%; e o DI para janeiro de 2025 projetava taxa de 8,58%, de 8,56%, na mesma comparação.