MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Daneille Fonseca, Eduardo Puccioni e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa segue operando abaixo dos 100 mil pontos e mostra volatilidade, com cautela em relação à tensão comercial entre Estados Unidos e China, já que embora os chineses tenham dado sinalizações positivas sobre as negociações, os preços de commodities seguem pressionados e ainda há receio de desaceleração da economia global, após a inversão da curva de juros norte-americana ontem.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,15% aos 100.105,21 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 9,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2019 apresentava avanço de 0,09% aos 101.025 pontos.

“O Ibovespa cai principalmente com commodities e preocupação com a guerra comercial”, disse o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila. Os preços do petróleo caem mais de 1%, o que reflete nas ações da Petrobras. As ações da Vale e de siderúrgicas, como Usiminas, também recuam em mais um dia de queda dos preços do minério de ferro, pesando sobre o Ibovespa.

Os preços de commodities têm sentido a continuidade da tensão comercial e diversas declarações das duas potências sobre a questão. Porém, ainda há esperanças de melhora, já que o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hua Chunying, disse, em coletiva de imprensa, que espera manter as negociações e encontrar uma solução comum com os Estados Unidos para encerrar a disputa comercial entre os dois países, amenizando o tom mais duro adotado mais cedo, quando a China ameaçou adotar medidas de retaliação às novas tarifas norte-americanas anunciadas recentemente.

Ontem, o presidente norte-americano, Donald Trump, também deu uma série de declarações, voltando a criticar o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), mas também se mostrando mais disposto a conversas com a China. Em meio a diversas declarações e depois de um dia fortemente negativo ontem, os mercados acionários no exterior não têm uma direção clara, com as bolsas norte-americanas mostrando leve alta e alguma volatilidade, enquanto os índices europeus operam na sua maioria em baixa.

Na cena doméstica, investidores devem acompanhar o andamento da reforma da Previdência no Senado, com receio de possíveis atrasos, já que senadores estariam mais preocupados com recursos para seus Estados.

Entre as maiores baixas do Ibovespa estão as ações da Ultrapar e Sabesp, que refletem balanços trimestrais negativos. As ações da Qualicorp também seguem entre as maiores perdas, ainda corrigindo a alta de mais de 30% dos papéis na última sexta-feira, depois de venda de fatia da empresa para a rede D’Or.

Na contramão, a maior alta do Ibovespa é das ações da JBS, que disparam após um balanço mais forte do que o esperado, o que atraiu compradores para os papéis. As ações da Natura também sobem refletindo seu balanço.

O receio com uma possível recessão da economia global tem afetado diretamente os mercados. No Brasil, após o dólar fechar ontem acima dos R$ 4,00, o Banco Central (BC) anunciou a utilização das reservas internacionais para conter a volatilidade da moeda, coisa que não ocorria desde 2009 durante a crise financeira. Com isso, o dólar tem apresentado recuo na sessão de hoje.

Por volta das 11h, o dólar comercial registrava queda de 0,71%, sendo negociado a R$ 4,0120 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava retração de 1,01%, sendo cotado a R$ 4,017. “Outro ponto que fica no radar é o possível efeito da alta do câmbio sobre a condução da política monetária”, destacou a equipe econômica da Coinvalores em relatório.

Pedro Galdi, analista da Mirae Asset Corretora, afirmou em relatório na manhã de hoje que será necessário analisar o desempenho de dois indicadores dos Estados Unidos para entender como deve se comportar os mercados. Entre os indicadores estão a produção industrial e as vendas no varejo norte-americanas.

“Como temos citado, o temor de desaceleração econômica global ganha importância e a divulgação da produção industrial e vendas no varejo nos EUA pela manhã de hoje será importante para mensurar a saúde daquela economia e trará influência no rumo do mercado”, afirmou Galdi em relatório.

As vendas no varejo dos Estados Unidos subiram 0,7% em julho na comparação com o mês anterior, já descontados os fatores sazonais, e somaram US$ 523,5 bilhões. Em junho, as vendas tiveram alta de 0,3% (dado revisado para baixo – a leitura original era um aumento de 0,4%). As informações foram divulgadas pelo Departamento do Comércio. Os analistas esperavam alta de 0,3% em julho ante junho. Na comparação com julho de 2018, as vendas no varejo norte-americano tiveram alta de 3,4%.

A produção industrial dos Estados Unidos caiu 0,2% em julho ante o mês anterior, após avançar 0,2% em junho (dado revisado), segundo o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Analistas previam alta de 0,1% no dado de julho. Na comparação com julho de 2018, a produção total cresceu 0,5%. A utilização da capacidade instalada da indústria foi de 77,5% em julho ante 77,8% do mês anterior. Na comparação com julho de 2018, a capacidade aumentou 2,2%.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem com leves oscilações, mas exibem um ligeiro viés negativo, principalmente nos vértices mais longos, em meio ao recuo do dólar. O patamar da moeda norte-americana a R$ 4,00, porém, traz certo desconforto, levando os investidores a ajustarem as apostas em relação à Selic. 

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,47%, de 5,475% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 5,47%, de 5,46% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 estava em 6,44%, de 6,47%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,93%, de 6,95%, na mesma comparação.

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