MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

O Ibovespa acelerou as perdas e cai mais de 2% acompanhando de perto a forte desvalorização das bolsas norte-americanas, com investidores voltando a ficar mais preocupados com uma desaceleração da economia global depois de dados fracos da China e da Alemanha. Entre as ações, as da Petrobras ampliaram perdas acompanhando a queda dos preços do petróleo.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 2,22% aos 101.006,05 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 9,1 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 2,48% aos 100.970 pontos.

“Ontem, os mercados haviam melhorado com a volta de conversas entre China e Estados Unidos, mas hoje tivemos notícias negativas da Alemanha e da China. O Ibovespa está parecendo uma gangorra, aqui dentro as coisas estão andando, mas tem coisas que não tem como segurar”, disse o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa.

Na China, dados da produção industrial e das vendas no varejo mostraram crescimento abaixo do esperado pelo mercado, mostrando possíveis impactos da continuidade da guerra comercial. O PIB da Alemanha também decepcionou ao cair 0,1% no segundo trimestre frente ao trimestre anterior.

Entre as ações, as da Petrobras aprofundaram a baixa acompanhando os preços do petróleo, mas o dia também é negativo para outras ações de peso para o Ibovespa, como as de bancos, com destaque para o Bradesco, e para a Vale.

Já as maiores quedas do Ibovespa são das ações da Kroton, da Cosan e da Embraer, que refletem seus balanços trimestrais. Na contramão, entre as únicas altas do índice estão as ações da Via Varejo e da CVC.

Já na cena doméstica, ontem a Câmara aprovou – por 345 votos a 76 – a medida provisória da Liberdade Econômica com mudanças nas regras trabalhistas, alterando o texto-base altera o Código Civil e a CLT. Investidores também devem acompanhar o início das discussões no Senado em torno da reforma da Previdência.

O dólar comercial acelerou os ganhos frente ao real e opera acima de R$ 4,01, após a abertura do mercado nos Estados Unidos, refletindo o temor do mercado com os sinais de desaceleração da economia global e um “aviso” de recessão no país norte-americano. Os dados da economia da China e o comportamento da curva de juros nos Estados Unidos preocupam investidores.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 1,25%, sendo negociado a R$ 4,0200 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava avanço de 1,41%, cotado a R$ 4,023.

Para o economista-chefe da Necton, André Perfeito, o momento é desafiador nos mercados maduros da Europa e dos Estados Unidos. “A questão não é o real ficar fraco, mas antes o dólar ficar forte, e de fato, é isso que estamos vendo quando investidores no mundo inteiro fogem para ‘debaixo da saia’ do Tesouro norte-americano em busca de proteção”, avalia.

Ele acrescenta que é importante ter atenção redobrada à inversão da curva de juros nos Estados Unidos e os efeitos nos mercados globais. “Este assunto ainda vai se tornar mais agudo”, reforça. Mais cedo, os juros dos títulos de referência de dez anos (T-Note) do governo dos Estados Unidos caíram para 1,6174%, de 1,704% no fechamento de ontem, enquanto os juros dos títulos de dois anos caíram para 1,6278%, de 1,673% de ontem.

Pela primeira vez desde a crise financeira, os juros dos títulos de dez anos renderam menos do que os juros da nota de dois anos. Essa anomalia é conhecida como “inversão da curva de juros” e é vista como um indicador de recessão. Além disso, os juros de títulos de 30 anos alcançaram um recorde de baixa de 2,06%.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em alta, pressionadas pelo dólar e pelo cenário externo de maior aversão ao risco, após novos dados fracos de atividade na China e na zona do euro reacenderem o temor quanto à desaceleração da economia global. Os investidores também avaliam os sinais emitidos pela curva de juros norte-americana, com os títulos de dez anos rendendo menos que os de dois anos pela primeira vez desde a crise de 2008. 

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,455%, de 5,44% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,46%, de 5,39%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,45%, de 6,36% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,95%, de 6,87%, na mesma comparação.

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