MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa ampliou as perdas após a abertura dos mercados norte-americanos e passou a cair mais de 2% com investidores buscando proteção depois dos resultados das eleições primárias presidenciais na Argentina, com derrota do atual presidente Mauricio Macri, e com a continuidade da tensão comercial entre China e Estados Unidos. Entre as ações que mais pesam para a queda do índice, estão as de bancos, como do Itaú Unibanco e do Banco do Brasil, que passaram a cair mais de 3%.

Por volta das 1330 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 2,02% aos 101.892,41 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 1,91% aos 101.935 pontos.

Os mercados emergentes sofrem hoje com uma série de eventos negativos no exterior, com destaque para a derrota do atual presidente argentino para Alberto Fernández, que possui a ex-presidente Cristina Kirchner como candidata a vice em sua chapa, com placar de 47% a 32%. Apesar dos resultados serem provisórios, indicam como deve ser o placar das eleições do dia 27 de outubro.

“Os mercados emergentes estão bem pressionados, investidores costumam olhar para blocos e para a América Latina”, disse o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, destacando que o receio de fuga de capitais na Argentina após o resultado das eleições primárias eleva a busca por proteção de risco aqui no Brasil também. A bolsa argentina caía mais de 30%.

Além disso, o analista cita a escalada de protestos em Hong Kong, que chegaram ao aeroporto e levaram ao cancelamento de mais de 100 voos, e a continuidade da tensão comercial entre China e Estados Unidos.

Para o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, a fala do presidente norte-americano Donald Trump da última sexta-feira, de que a reunião com a China em setembro pode ser desmarcada, segue pesando sobre os mercados e “mostrando que cada vez mais o acordo comercial entre as duas potencias deve ficar para o ano que vem”.

Com o foco no exterior, notícias positivas na cena doméstica ficam em segundo plano, com a reforma da Previdência andando sem percalços no Senado, até o momento, e com investidores ainda aguardando medidas que podem ser anunciadas pelo governo nesta semana.

Entre as ações, além das de bancos, que têm grande peso no Ibovespa, as da Petrobras e da Ambev também têm fortes perdas. Já as maiores quedas do índice são das ações da Qualicorp, que devolvem parte da alta de mais de 36% registrada na última sexta-feira em função da venda de fatia para a Rede D’Or. Também entre as maiores baixas estão as ações do setor de aviação, com o Azul e Gol, que sentem reflexos da alta do dólar.

O dólar comercial sustenta forte alta frente ao real em meio à aversão ao risco com as moedas de países emergentes após o resultado da primeira prévia das eleições em primeiro turno da Argentina indicando derrota do atual presidente, Maurício Macri, para o pré-candidato Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice na chapa.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 1,11%, sendo negociado a R$ 3,9850 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava avanço de 1,02%, aos R$ 3,988.

“O mercado está bem azedo influenciado pelo exterior. Além do resultado das prévias [das eleições] na Argentina, a China também contribui para o viés negativo”, comenta o analista da Toro Investimentos, Pedro Nieman. Os conflitos em Hong Kong preocupam o governo chinês, enquanto como pano de fundo, a guerra comercial com os Estados Unidos segue alimentando incertezas dos investidores quanto a possibilidade de acordo entre as duas maiores economias do mundo.

Nieman reforça que a agenda local “fraca” contribui para o viés negativo. Já o economista-chefe da Necton, André Perfeito, destaca que, além do cenário eleitoral argentino, as evidências de uma recessão técnica no Brasil que abre espaço para mais queda nos juros.

“A queda dos juros leva o País oferecer juros muito abaixo da volatilidade da moeda. Se a taxa Selic [taxa básica de juros] cair 5%, temos que lembrar que a volatilidade do real é de pelo menos 10%. Isto cria resistências a comprar a nossa moeda”, comenta.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em forte alta, pressionadas pelo avanço do dólar para R$ 4,00. A derrota do presidente argentino, Mauricio Macri, nas eleições primárias do país para o candidato da oposição, Alberto Fernández, que tem Cristina Kirchner como vice, contamina os ativos locais. 

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,455%, de 5,445% no ajuste de sexta-feira; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,41%, de 5,39% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,39%, de 6,35% ao final da semana passada; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,89%, de 6,85%, na mesma comparação.

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