MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa oscila entre altas e baixas nesta manhã dividido entre um cenário externo negativo e balanços corporativos positivos no Brasil. As bolsas norte-americanas ampliaram perdas refletindo declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a China, movimento que foi acompanhado pelo índice.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,33% aos 103.767,29 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 9,7 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,62% aos 103,830 pontos.

“Trump falou que os Estados Unidos não estão prontos para um acordo e vão parar com negócios com a Huawei”, destacou o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, afirmando que isso fez o Ibovespa voltar a recuar após ensaiar uma alta puxada por algumas ações que refletem balanços e notícias corporativas. Segundo Trump, também ainda não está definido se o encontro com a China em setembro, quando uma delegação chinesa viria à Washington, irá ocorrer.

Apesar da volatilidade trazida pela guerra comercial, alguns papéis impedem o Ibovespa de aprofundar perdas, como os de frigoríficos. “O que animou o mercado foram alguns resultados corporativos, o da BRF veio realmente acima do esperado, com custos de grãos menores e maiores preços”, disse o sócio da RJI Gestão e Investimentos, Rafael Weber.

Com isso, as ações da BRF têm fortes ganhos e estão entre as maiores altas do Ibovespa, puxando ainda ações de outros frigoríficos, como da JBS. A maior alta do índice, porém, é das ações da Qualicorp, depois que a Rede D’Or, dona do hospital São Luiz, anunciou a compra de 10% da companhia, após um acordo com os acionistas da Qualicorp, entre eles José Seripieri Filho. Em seguida, ainda aparecem as ações da B2W e da CVC, que também disparam após balanço trimestral positivo.

Na contramão, as maiores perdas são das ações da MRV e das ações de mineradoras e siderúrgicas, como da Vale e da CSN, que refletem as perdas dos preços do minério de ferro.

Na cena política doméstica, Weber também destaca que as notícias têm sido positivas, com andamento das reformas da Previdência, que não deve ter problemas no Senado, e da reforma tributária.

Após oscilar na abertura dos negócios, o dólar comercial firma alta frente ao real, em meio ao clima de aversão ao risco global com desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Além do ambiente de incertezas quanto ao desfecho dos conflitos.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,48%, sendo negociado a R$ 3,9460 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava avanço de R$ 0,64%, cotado a R$ 3,952.

“O movimento da moeda local está bem alinhado ao exterior. É uma continuidade dos efeitos que a guerra comercial tem causado no mercado e vão continuar gerando no curto prazo. Qualquer desdobramento vai mexer com os ativos”, comenta o analista da Quantitas, Matheus Gallina.

Segundo a agência de notícias “Dow Jones”, a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está retendo a aprovação de licenças para as empresas do país retomarem os negócios com a chinesa Huawei, após o país asiático suspender a compra de produtos agrícolas norte-americanos. Retaliações provenientes da disputa comercial entre os países.

Ele acrescenta o viés de ajuste depois da forte queda da moeda norte-americana frente às principais moedas globais ontem, o que levou o real a ter um dos melhores desempenhos entre as divisas de países emergentes, saindo do patamar de R$ 3,97 para R$ 3,92.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem com oscilações estreitas e sem rumo definido, com os investidores divididos entre a tensão comercial no exterior e o cenário doméstico. Um novo dado fraco sobre a atividade doméstica calibra as chances de quedas adicionais na Selic até o fim do ano.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,455%, de 5,475% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 5,42%, de 5,40%; o DI para janeiro de 2023 estava em 6,37%, de 6,34% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,87%, de 6,83%, na mesma comparação.

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