MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa acelerou ganhos e sobe 1% impulsionado pelas ações da Vale e de siderúrgicas após dados mais positivos da balança comercial chinesa, o que também ajuda os principais mercados acionários no exterior a se recuperarem depois da aversão ao risco dos últimos dias em função da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos. Já na cena doméstica, investidores seguem acompanhando o andamento da reforma da Previdência, que pode ser encaminhada ao Senado hoje.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,23% aos 104.053,77 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 9,4 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 1,26% aos 104.170 pontos.

Para o estrategista-chefe da Levante Investimentos, Rafael Bevilacqua, o investidor se apega a todos os dados positivos para renovar o fôlego depois da escalada da tensão comercial. “Nesta madrugada, por exemplo, a China divulgou dados referentes à sua balança comercial melhores do que o esperado, o que fez os ativos subirem”, afirmou, em relatório.

Segundo Bevilacqua, apesar da guerra comercial continuar no radar e de a moeda chinesa ter desvalorizado novamente, o valor fixado para o iuane ficou acima do esperado, o que também ajuda na recuperação de hoje, “dando sinais de que o gigante asiático não deve entrar em uma guerra cambial”. As bolsas asiáticas fecharam em alta e índices europeus e norte-americanos também operam no campo positivos hoje mesmo depois que a China permitiu hoje uma alta de 0,06% do dólar em relação à moeda local, para 7,0039 iuanes, superando mais uma vez o nível psicológico de 7 iuanes e marcando seu maior nível desde abril de 2008.

Os menores temores em relação à guerra comercial ajudam na recuperação de ações ligadas a commodities, caso dos papéis da Vale, da Usiminas e da Gerdau, com as siderúrgicas registrando a maior alta do Ibovespa. O dia também é positivo para as ações da Petrobras e para as ações de bancos, como do Banco do Brasil, que refletem seu balanço trimestral.

Na cena doméstica, investidores também olham com bons olhos a conclusão da votação em segundo turno na Câmara dos Deputados da proposta de reforma da Previdência (PEC 6/19), com todos os destaques apresentados sendo rejeitados. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que assim que receber a proposta de reforma da Previdência (PEC 6/2019) da Câmara dos Deputados a matéria será encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A expectativa é que o texto, cuja votação em segundo turno foi concluída ontem pelos deputados, seja encaminhada ao Senado hoje.

O dólar comercial acelerou as perdas frente ao real e cai 1%, a R$ 3,93 – e interrompe uma sequência de oito altas seguidas – em sessão mais positiva no exterior e com o encaminhamento da reforma da Previdência para o Senado após a conclusão dos trabalhos na Câmara dos Deputados, ontem.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 1,05%, sendo negociado a R$ 3,9350 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava recuo de 0,84%, cotado a R$ 3,942.

“Lá fora, prevalece um ambiente mais otimista, sem muito barulho, mas com os mercados ainda bem cautelosos. Os números da balança comercial da China acima do esperado pelo mercado e a expectativa de reforma da Previdência aprovada até o fim do mês que vem, contribuem para o cenário local mais positivo”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes.

As exportações da China, em julho, subiram 3,3% em base anual, revertendo o resultado negativo de 1,3% em junho e acima das expectativas do mercado de recuo de 2,0%. As importações, por sua vez, caíram 5,6% no mês passado, desacelerando-se do recuo de 7,3% em junho, e acima da projeção de -9,0%. “Os números foram extremamente interessantes”, ressalta Gomes.

Para o diretor da Correparti, a soma de um viés positivo para o comércio da China e a reação ao início do ciclo de afrouxamento monetário por alguns bancos centrais (BCs) – Estados Unidos, Brasil, Turquia, Nova Zelândia, India e Tailândia – contribuem para o cenário de queda global do dólar.  

“O exterior mais positivo hoje associado à aprovação da reforma da Previdência na Câmara preservando o nível de economia de R$ 900 bilhões em 10 anos, agora, indo para o Senado com expectativa de que passe por lá sem sofrer alterações e de que seja votada até o fim do mês que vem, fazem o exportador vender forte aqui”, acrescenta.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em queda, ajudadas pelo recuo do dólar em relação ao real e refletindo o cenário doméstico positivo, após as leituras fracas dos índices de preços no Brasil e a aprovação da reforma da Previdência na Câmara.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,485%, de 5,51% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,40%, de 5,43%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,32%, de 6,37% após o ajuste da véspera; e o DI para janeiro de 2025 estava em 6,81%, de 6,88%, na mesma comparação.

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