MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa segue em alta de mais de 1% devolvendo parte das perdas de 2,5% ontem, quando os mercados sentiram o aumento da tensão comercial entre China e Estados Unidos. Apesar de a guerra comercial continuar no radar e poder trazer volatilidade, a decisão do Banco do Povo da China (Pboc, o banco central do país) de definir um ponto médio diário da negociação da moeda chinesa abriu espaço para uma recuperação, já que deve impedir uma nova forte desvalorização do iune, com visto no pregão anterior.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,27% aos 101.371,34 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,4 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 1,60% aos 101.565 pontos.

“Ontem não teve jeito e acompanhamos a derrubada dos mercados, mas foi uma oportunidade de compra e o mercado já está se acalmando hoje. Não duvido que o Trump em breve solte algum tuíte com um tom mais positivo”, disse o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa.

Depois de o presidente norte-americano Donald Trump acusar a China de manipular a sua moeda e enfraquecê-la como forma de retaliação à ameaça de novas tarifas sobre produtos chineses, o Pboc definiu um ponto médio diário da negociação da moeda chinesa em 6,9683 iuanes por dólar, 0,7% abaixo do dia anterior.

A decisão deixou investidores mais tranquilos, podendo evitar novas desvalorizações abruptas. Porém, investidores devem continuar sensíveis a qualquer sinal dos dois países sobre novas retaliações ou sobre a possibilidade de poderem voltar a conversar.

Na cena doméstica, investidores ficarão atentos as conversas sobre a Previdência, para que a reforma possa ser votada no segundo turno na Câmara dos Deputados ainda nesta semana. Para Costa, com a expectativa de que a aprovação no segundo turno não tenha problemas, o mercado também irá esperar avanços em relação à reforma tributária.

Entre as ações, as ligadas a commodities, que tiveram fortes perdas ontem, mostram recuperação, como as da Vale, apesar de novas quedas dos preços do minério de ferro hoje. As maiores altas, porém, são das ações da Marfrig, que refletem a notícia de que a empresa firmou um acordo de exclusividade com a norte-americana Archer Daniels Midland Company (ADM) para produção e venda de produtos à base de proteína vegetal no Brasil. As ações do IRB Brasil também estão entre as maiores altas refletindo seu balanço trimestral.

Após exibir queda firme na abertura dos negócios em viés de correção, o dólar reduziu as perdas frente ao real e passou a subir no mercado à vista após falas de um dirigente do banco central dos Estados Unidos ainda deixando dúvidas quanto ao futuro da política monetária do país. A guerra comercial entre norte-americanos e chineses deixa o cenário volátil.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,63%, sendo negociado a R$ 3,9810 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava ganho de 0,10%, cotado a R$ 3,987.

Após declarações do presidente da unidade do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Saint Louis, James Bullard, o dólar desacelerou as perdas, levando a moeda no à vista a subir “dando a entender” que a autoridade monetária “não necessariamente” seguirá cortando a taxa de juros, comenta a economista da Capital Markets, Camila Abdelmalack.

Bullard é o primeiro dirigente a falar sobre política monetária após a decisão do Fed de cortar a taxa em, 0,25 ponto percentual (pp) na semana passada. “O discurso dele está em linha com o Powell [Jerome, presidente do Fed]. O mercado acredita que pode ter mais um corte de juros na reunião de setembro e depois de uma pausa, a taxa pode voltar a cair no ano que vem. O discurso dele reforça a ideia de um dólar mais forte sem a possibilidade de corte de juros”, avalia.

A economista reforça o viés de volatilidade na sessão em meio aos conflitos comerciais entre Estados Unidos e China que ganhou novos capítulos nos últimos dias, junto à discussão sobre o futuro da política monetária norte-americana. No cenário doméstico, hoje volta a discussão sobre a reforma da Previdência, agora em segundo turno, na Câmara dos Deputados. “A Previdência fica em segundo plano com tanta coisa acontecendo lá fora”, diz Abdelmalack.

Porém, ela destaca a importância da matéria uma vez que a política monetária do País está “direcionada e amparada” pela reforma da Previdência. “A pauta continuará sendo acompanhada de perto pelo mercado”, comenta. Após cortar a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual (pp), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reiterou em ata da reunião divulgada hoje a importância da “continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a queda da taxa de juros estrutural”.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em queda, principalmente nos vértices mais longos, em meio à melhora do cenário externo, um dia após a piora na relação entre Estados Unidos e China. Já o trecho mais curto se ajusta à ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que reiterou cortes adicionais na Selic, mas não indicou o tamanho do ciclo total de queda.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,535%, de 5,565% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,53%, de 5,57%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,47%, de 6,54%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,97%, de 7,05%, na mesma comparação.

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