MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa segue com forte queda em meio a uma piora da guerra comercial entre China e Estados Unidos, o que derruba os mercados acionários no exterior e os preços de commodities. Os preços do minério de ferro, por exemplo, caíram mais de 6%, fazendo as ações da Vale e de siderúrgicas recuarem mais de 3%.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 2,30% aos 100.306,32 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,4 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 2,47% aos 100.400 pontos.

Chamou a atenção dos investidores hoje a queda da moeda chinesa, que recuou para além do nível psicológico importante de 7 iunes por dólar, depois que os Estados Unidos ameaçaram a ampliar tarifas sobre produtos chineses na semana passada. Em resposta, o presidente norte-americano, Donald Trump, acusou a China de manipulação da sua moeda nesta manhã. O enfraquecimento do iune é visto pelos Estados Unidos como uma retaliação e tentativa da China de manter as suas exportações mais baratas e competitivas. Há pouco, os índices norte-americanos ampliaram perdas, caindo mais de 2%.

“Trump falou que ampliaria tarifas e os chineses disseram que teria retaliação, esse é só mais um capítulo dessa novela. Pode ser que essa guerra comercial vire outro tipo de guerra, como cambial, vamos ter que acompanhar”, disse o analista da Toro Investimentos, Thiago Tavares.

Diante dessa piora, as ações da Vale, da CSN e da Bradespar mostram as maiores desvalorizações do Ibovespa, acompanhando a derrocada dos preços do minério de ferro na China. Segundo operadores, os preços da commodity caíram mais de 6% no porto de Qingdao. Já no mercado futuro, na Bolsa de Dalian, os preços do contrato mais negociado com entrega para janeiro de 2020, caiu 3,3%, a 709,0 iuanes (US$ 102,12) por tonelada.

Na cena doméstica, o analista da Toro destaca o fim do recesso parlamentar, com a reforma da Previdência podendo ser votada até quinta-feira no segundo turno na Câmara dos Deputados. No entanto, alerta que é preciso acompanhar a repercussão de falas polêmicas do presidente Jair Bolsonaro entre os parlamentares.

O dólar comercial sustenta forte alta frente ao real influenciado pelo clima de aversão ao risco que toma conta dos mercados globais em meio ao endurecimento da guerra comercial travada entre os Estados Unidos e a China que eleva a tensão do mercado.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 1,25%, sendo negociado a R$ 3,9420 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava avanço de 1,41%, cotado a R$ 3,950.

“O mercado está uma loucura, com a moeda estrangeira em forte valorização e, como sempre, impacta mais as moedas [de países] emergentes. As moedas estão muito voláteis e nervosas em relação a essa guerra. A semana deverá seguir pautada por isso”, comenta o diretor de câmbio do grupo Ourominas, Mauriciano Cavalcante.

Ele ressalta que investidores têm buscado outros ativos “seguros” como o ouro e que o atual patamar da divisa pode levar o Banco Centra (BC) a atuar no mercado. “Com o dólar a caminho de R$ 4,00, pode ser que chame o BC para a realização de algum leilão de linha [venda de dólar com compromisso de recompra]”, diz.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em alta firme, pressionadas pelo dólar, que sobe mais de 1%, cotado acima de R$ 3,90. Os negócios locais seguem reféns da piora do ambiente internacional, em meio à escalada da tensão comercial entre Estados Unidos e China. 

Às 11h35, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,55%, de 5,50% no ajuste ao final da semana passada; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,52%, de 5,42% na última sexta-feira; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,49%, de 6,37%; e o DI para janeiro de 2025 estava em 7,00%, de 6,91%, na mesma base de comparação.

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