MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – Após subir com mais força perto da abertura do pregão, o Ibovespa zerou ganhos e ensaia uma queda puxado por perdas de ações de bancos e da Vale, em um dia de maior aversão ao risco no exterior em função da possível imposição de novas tarifas a produtos chineses pelos Estados Unidos. Por outro lado, as ações da Petrobras seguem com fortes altas refletindo seu balanço trimestral e expectativas positivas sobre vendas de ativos.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava avanço de 0,25% aos 102.391,27 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 10,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 0,57% aos 102.585 pontos.

As ações da Vale seguem em queda desde a abertura refletindo as fortes perdas dos preços do minério de ferro, com a commodity sentindo o efeito das declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que disse ontem que deve impor tarifas adicionais de 10% sobre US$ 300 bilhões de importações chinesas, a partir de 1 de setembro, suspendendo a trégua entre os dois países.

Os papéis de bancos, que têm grande peso no índice, também aceleraram perdas, com alguns virando para queda, diante de um aprofundamento das perdas dos índices norte-americanos, caso do Bradesco.

Já as maiores perdas do Ibovespa são das ações da Cielo e da Gol, que devolvem os fortes ganhos do pregão anterior. As ações da Cielo chegaram a subir mais de 13% ontem diante de rumores de que o Banco do Brasil irá vender sua fatia na companhia, no entanto, o banco não confirmou a informação.

Na contramão, as ações da Petrobras têm as maiores altas do Ibovespa refletindo seu balanço trimestral e a recuperação dos preços do petróleo, que ontem caíram mais de 7%. “O resultado da Petrobras foi positivo, a empresa conseguiu reduzir a sua alavancagem e deu sinalização bem positiva de que desinvestimentos vão continuar, principalmente na área de gás”, afirmou o analista da Necton Corretora, Gabriel Machado.

No cenário externo, investidores devem ficar atentos a possíveis desdobramentos das declarações de Trump, sendo que a China já ameaçou com possível retaliação à imposição de tarifas. “Nunca sabemos o que o Trump vai falar, mas na minha visão isso pode ser mais uma barganha”, afirmou Machado. Ainda no exterior, os dados de emprego nos Estados Unidos, conhecidos como payroll, acabaram não tendo grandes impactos no mercado, ao vir levemente abaixo do esperado e manterem dúvidas sobre possíveis cortes de juros à frente no país.

O dólar comercial avança frente ao real, renovando máximas sucessivas em busca do nível de R$ 3,90, em sessão de forte aversão ao risco global em meio aos dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos, o payroll, em linha com o esperado pelo mercado, o que retorna a discussão em torno da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e com a escalada da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,83%, sendo negociado a R$ 3,8800 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava avanço de 1,03%, cotado a R$ 3,887.

O economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos, comenta que a geração de empregos em linha com o esperado, com a criação de 164 mil vagas no mês passada, mas abaixo do forte desempenho de junho (224 mil vagas, em dado revisado). Os salários, porém, tiveram ligeiro avanço, acima do esperado.

“O que mantém entre os analistas algum temor com repercussões inflacionárias futuras. Os dados corroboram para uma a postura comedida do Fed [sobre política monetária]. Se o mercado de trabalho não está aquecido a ponto de impedir ao menos um corte adicional dos juros, a posição ainda sólida não indica a necessidade de um ajuste agressivo da política monetária”, avalia.

Neste contexto, Campos acrescenta que o dólar deverá permanecer fortalecido em termos globais no curto prazo, com o reforço da percepção de que o Fed não deverá avançar de forma significativa no processo de corte dos juros.

O diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer, reforça que ainda há resquícios da decisão de política monetária do Fed no meio da semana, quando a taxa básica de juros dos Estados Unidos caiu 0,25 ponto percentual (pp), porém, o discurso do presidente da instituição, Jerome Powell, alegou que corte de juros “não significa ciclo de afrouxamento monetário”. Discurso que frustrou e causou “confusão” no mercado.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem com oscilações estreitas. Os vértices mais curtos rondam a estabilidade, sem rumo definido, passados os ajustes pós-Copom, enquanto os vencimentos mais longos tentam seguir a trajetória dos títulos norte-americanos no exterior, mas são pressionados pela escalada do dólar para além de R$ 3,85.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,505%, de 5,505% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 5,43%, de 5,40%; o DI para janeiro de 2023 estava em 6,38%, de 6,35% do ajuste anterior; e o DI para 2025 tinha taxa de 6,91%, de 6,91%, na mesma comparação.

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