MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa acelerou ganhos e passou a subir mais de 1% mostrando uma correção após a queda de ontem, amparada pela forte valorização de ações de bancos e pela queda da Selic, o que pode atrair mais investidores para a Bolsa.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,61% aos 103.461,20 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 11,7 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 1,75% aos 103.690 pontos.

Para o gerente da mesa de operações da H.Commcor, Ari Santos, a reação ao Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) ontem, que deu sinalizações confusas sobre um possível início de um ciclo de cortes de juros, “foi exagerada” , o que faz com que ocorra uma correção depois das fortes quedas dos principais mercados acionários. “Uma queda de 0,25 ponto percentual não é tanto também e é natural que banco central não dê sinalizações claras do que vai fazer”, afirmou. O Fed cortou os juros em 0,25 pp como o esperado pelo mercado, mas não deixou claro se isso vai ser o início de um ciclo de baixa.

Também ajuda na recuperação do Ibovespa o corte de 0,50 pp da Selic, com o Comitê de Política Monetária (Copom) sendo mais claro de que o Fed e sinalizando que podem vir mais cortes no futuro. “Historicamente a baixa de juros é benéfica para a Bolsa”, lembra Santos, já que investidores migram de ativos de renda fixa, com rendimentos atrelados à Selic, para a renda variável, buscando maiores lucros.

Entre as ações, as de bancos são as que mais pesam para a alta do Ibovespa, caso dos papéis do Itaú Unibanco e do Santander, que anunciou hoje novidades em relação à sua controlada Getnet, com um programa de portabilidade para máquinas de cartão. Os papéis do setor tinham mostrado fortes quedas nos últimos dias, com investidores fazendo ajustes após a divulgação de balanços trimestrais.

Já as maiores altas do Ibovespa no momento são de empresas de consumo e varejo, que se beneficiam da queda da Selic, caso dos papéis do Magazine Luiza, da Via Varejo e da JBS.

Na contramão, as maiores baixas são das ações da Vale, que mostrou um balanço abaixo do esperado pelo mercado, com aumento de custos de produção.

O dólar comercial oscila e volta a subir após renovar mínimas influenciado pelo fluxo de vendas no cenário doméstico somado ao recuo do dólar no exterior frente às principais moedas pares e de países emergentes após a abertura de mercado nos Estados Unidos. Investidores ainda reagem ao discurso “confuso” do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, após a decisão de corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros por lá.

Por volta das 13h30, o dólar comercial apresentava alta de 0,47%, sendo negociado a R$ 3,8360 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 registrava avanço de 0,54%, sendo cotado a R$ 3,842.

“O dólar não só enfraqueceu um pouco no exterior, como também tem bastante exportador no mercado com o fluxo forte de vendas desde quando o dólar chegou ao patamar de R$ 3,83. O fluxo acabou derrubando o dólar aqui”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes.

O analista da corretora Mirae Asset, Pedro Galdi, reforça que Powell acabou se “atrapalhando” ao citar os próximos passos do Fed. “Primeiro, sinalizando que não haveria mais cortes. Depois, sinalizando que ele não havia comunicado direito o viés. Essa pequena confusão fez os ativos terem fortes oscilações”, diz.

Gomes acrescenta que o movimento ontem foi um pouco “exagerado” e corrige hoje. “Além disso, no cenário interno, também está embutida um pouco de proteção pela semana que está por vir com a volta das atividades no Congresso Nacional e consequentemente, a volta da discussão em torno da reforma da Previdência”, ressalta.

Galdi reitera que, com o corte de 0,25 pp pelo Fed dentro do esperado, a tendência de curto prazo é de pressão do dólar sobre outras moedas”, comenta.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em queda firme, principalmente nos vértices mais curtos, com os investidores calibrando as apostas em relação ao ciclo total de cortes na Selic, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizar ontem a retomada do processo de afrouxamento. Já o trecho mais longo têm leves baixas.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,50%, de 5,615% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 5,39%, de 5,5%; o DI para janeiro de 2023 estava em 6,33%, de 6,35% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,88%, de 6,90%, na mesma comparação.

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