MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Eduardo Puccioni

São Paulo – Após abrir quase estável, o Ibovespa passou a acelerar perdas puxado pela queda de ações de bancos, com investidores aproveitando para reavaliar o setor e fazer ajustes de carteiras no último pregão do mês, antes das decisões de políticas monetárias do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Banco Central do Brasil (BCB).

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,68% aos 102.226,495 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,1 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,71% aos 102.460 pontos.

O analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, destaca as ações do setor bancário, que têm grande peso no Ibovespa e puxam a queda depois de balanços trimestrais sem surpresas e com investidores fazendo realocação de carteiras e setores. Ele lembra ainda que os investidores estrangeiros não estão vindo para o mercado brasileiro, o que ajuda a retirar o ímpeto de alta do índice em um dia de cautela à espera de eventos relevantes.

Para o sócio da Critera Investimentos, Vitor Miziara, o rebalanceamento de carteiras também pode explicar a queda mais acentuada no momento. “Acredito que investidores estão saindo do setor bancário, que em sua maioria já divulgou balanços, para ir para papéis mais descontados, que ainda vão divulgar resultados”, afirmou.

Com esse movimento, as ações como do Itaú Unibanco e do Bradesco recuam e passaram a ficar entre as maiores perdas do índice. Ontem, os papéis do Itaú já haviam encerrado com queda de mais de 3% após a divulgação do balanço, com alguns investidores se preocupando com o impacto da maior concorrência no setor, da lenta retomada da oferta de crédito e possíveis cortes da Selic.

Na contramão, as ações da B2W, da Smiles e das Lojas Americanas são as maiores altas do índice. As Lojas Americanas e a B2W concluíram os estudos relacionados ao Projeto Ame – aplicativo de produtos financeiros e serviços diversos desenvolvido pelas empresas – e aprovaram a participação das duas companhias na plataforma.  As ações do setor varejista também têm tido bons desempenho na expectativa de corte da Selic na reunião de hoje do Copom.

Já no cenário externo, todas as atenções estão voltadas para o Fed, com o mercado precificando uma queda de 0,25 ponto percentual da taxa às 15h, mas devendo ficar atento as declarações do presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, a partir das 15h30. Também são monitoradas as negociações comerciais entre China e Estados Unidos, depois que o governo norte-americano disse que as conversas de ontem foram construtivas.

O dólar comercial acelerou a queda frente ao real, renovando mínimas sucessivas a R$ 3,76, com investidores locais na tradicional “briga” pela formação de preço da taxa Ptax – média das cotações do dólar apuradas pelo Banco Central (BC) – de fim de mês, antes das decisões do banco central norte-americano (Federal Reserve – Fed), no meio da tarde, e do nosso banco central, após o fechamento do mercado local.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,81%, sendo negociado a R$ 3,7600 para venda. No mercado futuro, o contrato futuro da moeda norte-americana com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,67% cotado a R$ 3,765.

A caminho do fim da primeira parte das negociações, a moeda estrangeira quase tocou o nível de R$ 3,75, em movimento descolado do exterior. “Efeito Ptax”, comenta o operador de mesa de uma corretora estrangeira. Ele acrescenta que a moeda não deve recuar mais até a formação de preço da taxa.  

Por outro lado e no exterior, investidores aguardam o principal fato da sessão que é a decisão sobre a taxa de juros pelo Fed, com apostas de queda de 0,25 ponto percentual (pp). Além do comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), o mercado aguarda o discurso do presidente do BC norte-americano, Jerome Powell.

“Será o primeiro corte de juros em mais de uma década, e o mercado fica curioso pelo comunicado do Fed devido à sinalização da condução desse ciclo”, avalia a equipe econômica da Capital Markets. Para o analista da corretora Mirae Asset, Pedro Galdi, independentemente se o anúncio será um corte de juros ou não, Powell, fará um discurso norteando os economistas sobre os próximos passos do Federal Reserve.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) operam próximas da estabilidade com investidores aguardando as decisões dos bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil sobre sua política monetária para os próximos dias.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,57%, de 5,56% do ajuste anterior; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,42%, de 5,42% ante o ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,30%, estável, e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,84%, inalterado na mesma comparação.

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