MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Eduardo Puccioni

São Paulo – O Ibovespa opera em queda refletindo o cenário externo de maior cautela após uma série de indicadores e antes da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), além de ser puxado pela forte queda de ações de bancos, com destaque para os papéis do Itaú Unibanco, que divulgou seu balanço trimestral.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,17% aos 103.296,96 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,4 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,29% aos 103.635 pontos.

No exterior, indicadores europeus mostraram fraqueza e dados de renda pessoal nos Estados Unidos vieram praticamente em linha com o esperado, mantendo previsões de uma queda de 0,25 ponto percentual (pp) da taxa de juros do país na reunião de amanhã do Fed. No entanto, investidores também mostram cautela em relação às negociações comerciais entre China e Estados Unidos, que foram retomadas hoje, e em relação às declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que voltou a fazer críticas à China.

Já no Brasil, além da espera pelo Comitê de Política Monetária (Copom) amanhã, o foco está nos balanços corporativos, com o dia marcado por fortes quedas de ações de bancos. A maior queda do Ibovespa no momento é das ações do Itaú Unibanco, que chegou a cair cerca de 3% mais cedo, mas já reduziu perdas com o mercado ainda digerindo o balanço da companhia. Em seguida, aparecem as ações do Bradesco.

Apesar dos resultados trimestrais do Itaú terem vindo dentro do esperado e de o banco ter anunciado um programa de demissão voluntária, investidores estão vendo uma perda de ímpeto de receitas com serviços diante da maior concorrência no setor, cenário que acreditam que não deve mudar nos próximos trimestre. “O lucro líquido veio até levemente acima do esperado, mas as ações caíram assim como aconteceu com o Bradesco quando divulgou o seu balanço. O mercado está preocupado com a possibilidade de perdas de receitas de serviços nos próximos trimestres, em um cenário que o crédito ainda não reagiu fortemente”, disse o sócio da RJI Gestão e Investimentos, Rafael Weber.

Depois de oscilar na abertura dos negócios, o dólar comercial tem alta firme frente ao real, chegando a romper novamente o patamar de R$ 3,80, com investidores locais e no exterior cautelosos à espera da decisão dos bancos centrais dos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve), e do brasileiro amanhã. O mercado aposta em afrouxamento monetário aqui e lá. Aqui, a falta de liquidez no mercado à vista corrobora para a valorização da moeda estrangeira.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,05%, sendo negociado a R$ 3,7890 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 0,06%, cotado a R$ 3,784.

“O investidor está na retaguarda sem tomar grandes posições. O dólar lá fora impulsiona a moeda aqui, já que ganha terreno frente as principais moedas globais”, comenta o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

Ele alerta para uma “disfuncionalidade” no mercado cambial na sessão. “O dólar futuro opera abaixo do à vista indicando falta de liquidez. Isso pode levar o Banco Central [BC] a anunciar um leilão de linha [venda de dólar com compromisso de recompra futura] para amanhã, mesmo em meio à briga pela formação de preço da taxa Ptax”, destaca.

Amanhã, no último pregão do mês, tem a “famosa” disputa do mercado pela formação de preço da Ptax – média das cotações do dólar apuradas pelo BC.

Enquanto isso, segue a expectativa pelas decisões de política monetária nos Estados Unidos e aqui, que direcionam o movimento do mercado. Hoje, o Banco do Japão (BoJ) já deu a largada com a manutenção dos juros negativos e dos programas de alívio quantitativo, principalmente com a forte queda mensal e anual da produção industrial, ainda que o desemprego tenha caído, destaca o economista-chefe da Infinity, Jason Vieira.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) seguem praticamente inalteradas com investidores cautelosos esperando pelo resultado das reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC).

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,58%, de 5,585% do ajuste anterior; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,43%, de 5,44%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,28%, de 6,30%, e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,84%, de 6,85% na mesma comparação.

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