MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Eduardo Puccioni

São Paulo – Após virar para queda logo após a abertura, o Ibovespa acelerou perdas e chegou a cair mais de 1% refletindo as declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que se mostrou mais cauteloso do que o esperado em relação a sinalizações sobre estímulos econômicos. O índice também reflete as quedas de ações de bancos, com destaque para a baixa de mais de 4% dos papéis do Bradesco, que divulgou hoje seu balanço trimestral.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 1,35% aos 102.704,17 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 10,4 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 1,20% aos 102.975 pontos.

“O comunicado do BCE animou no primeiro momento, mas parece que o tom do Draghi não confirmou a visão otimista. Acredito que o mercado entendeu que um corte de juros ainda pode demorar”, disse o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila.

O chefe de renda variável da Eleven Financial Research, Carlos Daltozo, também destaca as falas de Draghi, que fizeram as bolsas europeias e norte-americanas caírem, com a Bolsa brasileira acompanhando o movimento mundial. “Draghi disse que não foram discutidas mudanças de política monetária hoje e o mercado interpretou que ele foi menos agressivo, o que azedou o humor”, afirmou.

O BCE manteve a taxa de juros inalterada e afirmou em comunicado que estuda alternativas como compras de ativos, porém, o presidente da autoridade monetária disse que quer ver novas projeções antes de adotar medidas, que não chegaram a ser discutidas ainda. Além das declarações de Draghi, operadores citam dados mais fortes nos Estados Unidos, como os pedidos de seguro-desemprego, que vieram abaixo do esperado pelo mercado.

Na cena doméstica, o destaque hoje são balanços trimestrais como o do Bradesco, que apesar de ter mostrando alguns resultados em linha com o esperado pelo mercado, confirmou uma dinâmica de menor crescimento de sua carteira, segundo Daltozo. O chefe de renda variável, porém, se mostrou surpreso com a queda forte dos papéis, que mostram a maior desvalorização do Ibovespa. Outros bancos, porém, também seguem com quedas expressivas e entre as maiores baixas, como o Itaú Unibanco e o Banco do Brasil.

Na contramão, entre as maiores altas do Ibovespa estão as ações da Ambev, que disparam refletindo resultados trimestrais melhores do que o esperado, também refletem balanço positivo os papéis do Grupo Pão de Açúcar.

Após abrir em queda, reagindo à decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), o dólar virou e dispara frente ao real acima dos R$ 3,80 influenciado por um movimento global de proteção após o um discurso visto como “menos dovish” (suave) do presidente da instituição, Mario Draghi.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,55%, sendo negociado a R$ 3,7910 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana apresentava avanço de 0,50% sendo cotado a R$ 3,792.

“O mercado esperava um discurso sinalizando queda de juros no curto prazo, porém, Draghi mudou o tom deixando mais nebuloso, dando a ideia de que pode cortar juros apenas no ano que vem, o mesmo disse para os estímulos monetários visto a que a atividade na zona do euro está mais fraca”, avalia o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

No discurso, Draghi reforçou que as informações recebidas desde a última reunião do Conselho do BCE no início de junho indicam que, enquanto ganhos adicionais de emprego e salários crescentes continuam a sustentar a resiliência da economia, o abrandamento da dinâmica do crescimento global e o fraco comércio internacional continuam a pesar nas perspectivas da zona do euro. Ele disse ainda que as chances de recessão na região são mínimas.

“O discurso foi menos dovish do que o mercado esperava. A reação acabou sendo global”, diz Rosa. Já o diretor da Correparti, Ricardo Gomes, destaca uma saída “forte” de fluxo do País, que ainda não havia sido identificada. “Isso pesou muito aqui levando o dólar a R$ 3,80”, comenta. Ele cita ainda dados dos Estados Unidos ressaltando que a economia de lá segue “fortalecida”.

Os pedidos de bens duráveis subiram 2,0% em junho ante maio, somando US$ 246,0 bilhões. Analistas previam alta de 0,5% nos pedidos. Já os pedidos de seguro-desemprego caíram 10 mil, para 206 mil pedidos, enquanto o mercado esperava recuo para 220 mil.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) operam em alta na sessão de hoje com investidores frustrados pela decisão do Banco Central Europeu (BCE) de manter a taxa de juros inalterada. O mercado esperava por um corte, com isso, a cautela passou a predominar. A expectativa agora fica por conta do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom) nas reuniões da semana que vem.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,61%, de 5,585% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,48%, de 5,41% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,37%, de 6,27%, e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,92%, de 6,84% na mesma comparação.

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