MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Eduardo Puccioni

São Paulo – O Ibovespa opera em alta e tenta acelerar ganhos amparado por ações de bancos e pela alta de 5% das ações da BR Distribuidora, em meio a melhores expectativas sobre as medidas que o governo deve anunciar, como a liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Com isso, o índice se descola um pouco do clima de maior cautela no cenário externo.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava avanço de 0,52% aos 104.250,46 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,9 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 0,31% aos 104.655 pontos.

Para o gerente da mesa de operações da H.Commcor, Ari Santos, houve uma melhora do humor de ontem para hoje com expectativas sobre novidades em relação à medidas do governo depois de declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes.  No pregão de ontem, investidores chegaram a se desanimar com a possibilidade de os saques do FGTS liberarem um montante insignificante na economia, sem capacidade de estimular o consumo.

“Ainda está confuso como vai ser a liberação dos saques do FGTS, mas o Guedes falou que pode ter surpresas e mesmo com essas dúvidas varejistas que caíram ontem estão se recuperando”, disse.

Após diversos rumores, as regras dos saques do FGTS devem ser finalmente divulgadas hoje às 16h. Ontem, Guedes já deu algumas pistas ao afirmar que projeta uma injeção de R$ 30 bilhões neste ano e R$ 12 bilhões em 2020 com o FGTS e prometeu “novidades, coisas interessantes”, embora não tenha deixado claro qual será o limite dos saques.

Entre as ações, as de bancos, que tiveram um dia fraco ontem, têm um dia mais positivo, caso dos papéis do Bradesco. As ações de varejistas também mostram recuperação, como as da Via Varejo, que está entre as maiores altas do Ibovespa. Também entre as maiores altas estão os papéis da BR Distribuidora, que refletem o resultado da oferta de ações feita pela Petrobras para vender 30% do capital da companhia, e da Weg, que divulgou seus resultados trimestrais.

O dólar comercial acelerou as perdas frente ao real e lá fora e mantém queda após saírem os números do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. A entrada de fluxo de capital estrangeiro no mercado doméstico ajuda a manter a moeda estrangeira em queda, apesar do pouco volume de negócios.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,34%, sendo negociado a R$ 3,7610 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,35%, cotado a R$ 3,761.

O PMI de serviços norte-americano subiu a 52,2 pontos em julho, na maior alta em três meses, ficando acima do esperado pelo mercado, de 52,0 pontos. Já o PMI da atividade industrial caiu a 50,0 pontos, enquanto a expectativa era de 51,0 pontos neste mês. “Depois que esses dados saíram, o dólar passou a cair mais lá fora e respinga aqui”, comenta o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

Ele acrescenta que a oferta de ações da Movida na bolsa de valores brasileira, com a captação de fluxo estrangeiro para participação na oferta, corrobora para a queda da moeda estrangeira no mercado interno. “Mesmo com essas ofertas de ações, o mercado tem tido liquidez reduzida, exceto ontem, com uma saída forte de recursos da Petrobras e ajudou o dólar a subir 1% perto dos R$ 3,78”, diz.

Lá fora, investidores seguem atentos ao Banco Central Europeu (BCE) que comunicará a decisão de política monetária amanhã. Hoje, dados do PMI da atividade industrial e de serviços da Europa vieram mais fracos, com quedas de 46,4 pontos, indicado retração da atividade, e de 53,3 pontos, respectivamente, neste mês.

“A indústria europeia tem sido prejudicada por diversas incertezas como a guerra comercial entre Estados Unidos e China, preocupações geopolíticas com os Estados Unidos, o Brexit [acordo de saída do Reino Unido da União Europeia] e pela deterioração das perspectivas para o setor automobilístico. Com isso, a indústria alemã tem sido uma das mais afetadas”, avalia a equipe econômica do Bradesco.

Os analistas do banco acrescentam que os dados (do PMI) fracos alimentam ainda mais a expectativa de que o BCE reforce um discurso “dovish” (suave) na reunião de amanhã, devendo sinalizar mais afrouxamento monetário à frente.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) seguem com viés de queda na sessão de hoje. As taxas com vencimentos mais curtos caem pouco, perto da estabilidade, mas as médias e longas apresentam um recuo um pouco mais forte. Os investidores seguem atentos aos movimentos dos bancos centrais pelo mundo.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,585%, de 5,60% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,42%, estável ante o ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,29%, de 6,31%, e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,85%, de 6,87% na mesma comparação.

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