MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Após abrir com alta moderada, o Ibovespa passou a operar com leve queda, mostrando dificuldades de definir uma tendência, enquanto investidores esperam por mais detalhes de medidas que devem ser anunciadas pelo governo. Entre as medidas, está a liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), no entanto, os rumores de que serão limitados a R$ 500,00 por conta frustraram expectativas de maior impacto na economia.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,25% aos 103.679,89 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 6,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,42% aos 104.005 pontos.

Para o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, investidores estão um pouco mais “com o pé atrás” em relação à cena local, onde há maior indefinição. Um dos motivos é o efeito “mais limitado” que a medida de liberação de saques do FGTS pode ter na economia se forem restritos a R$ 500,00, conforme apontado por jornais hoje.

Com o recesso parlamentar, o que deixa as esperadas reformas da Previdência e tributária em espera, o mercado voltou a sua atenção para outras medidas que o governo pode tomar. No entanto, além dos saques do FGTS, previsto para ser anunciado amanhã, é esperado para hoje o “choque de energia barata” prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, com mudanças no setor de gás devendo ser anunciadas às 16h30.

Bandeira também acredita que o Ibovespa segue sem ímpeto devido à ausência de investidores estrangeiros, que ainda não voltaram ao mercado brasileiro mesmo com avanços na reforma da Previdência. “Está faltando dinheiro, os gringos têm tirado dinheiro ainda”, disse.

Entre as ações que pesam para a queda do Ibovespa estão as de bancos, como os papéis do Itaú Unibanco, que devolvem os fortes ganhos de ontem. A exceção no setor são as ações do Santander, que refletem dados trimestrais positivos divulgados hoje, abrindo a temporada de balanços.

Já as entre as maiores altas do Ibovespa, estão as ações da MRV com as construtoras se beneficiando com a possível liberação menor do que o esperado de saques do FGTS. Também têm fortes altas as ações da Cielo, na expectativa de balanço melhor, e da Ultrapar, que teve sua recomendação elevada pelo Bradesco BBI.

Na contramão, as maiores quedas são da Suzano, do Magazine Luiza e da Localiza. Ao contrário do efeito sentido pelas construtoras, o dia é negativo para varejistas em função dos rumores sobre o FGTS e eventual menor impacto no consumo.

No cenário externo, por sua vez, o dia é mais tranquilo, com possível retomada de negociações comerciais presenciais entre China e Estados Unidos e à espera da reunião do Banco Central Europeu (BCE) amanhã, com possível anúncio de estímulos.

O dólar comercial acelerou os ganhos frente ao real, e opera acima do nível de R$ 3,76, em linha com o avanço da moeda no exterior reagindo às projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) que revisou para baixo o crescimento da economia mundial. O movimento de correção após sucessivas baixas do ativo corroboram para a valorização da moeda em âmbito global.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,93%, sendo negociado a R$ 3,7740 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana apresentava avanço de 0,81%, cotado a R$ 3,774.

Segundo as projeções do FMI, a alta do Produto Interno Bruto (PIB) mundial deverá ser de 3,2% em 2019, ante expectativa de crescimento de 3,2% na projeção anterior. O relatório cita a escalada da disputa comercial entre Estados Unidos e China, as incertezas ligadas ao processo de saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, e o aumento dos riscos geopolíticos com efeitos nos preços da energia.

“A divulgação de PIBs até o momento, juntamente com uma inflação branda, apontam para uma atividade global mais fraca do que o previsto. O investimento e a demanda por bens de consumo duráveis estão abaixo do potencial e as economias emergentes assim como os gastos das famílias estão segurando investimentos em longo prazo”, diz o FMI no relatório divulgado hoje. A estimativa do PIB para 2020 também foi revisada, com crescimento de 3,6% para 3,5%.

A economista-chefe do Ourinvest, Fernando Consorte, ressalta ainda o viés de “correção” dos ativos no exterior após sucessivas quedas nos últimos pregões. “O mercado está ao sabor do exterior, além de uma correção natural após tantos dias de queda. Como está sem grandes novidades e sem notícias relevantes, qualquer coisa que sai lá fora respinga aqui”, avalia.

As taxas de contratos de juros futuros (DIs) caem mostrando um aumento de apostas em cortes mais agressivos da taxa básica de juros (Selic) depois que o IPCA-15 veio mais fracos do que o esperado pelo mercado e de rumores de que a liberação de saques do FGTS pode ser limitada a R$ 500,00 por conta, frustrando expectativas de um impacto maior na economia. A queda dos DIs só não é maior em função da alta do dólar ante o real, com a moeda norte-americana mostrando uma correção hoje.

Às 13h30 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,615%, de 5,65% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,45%, de 5,49%  de ontem; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,32%, de 6,36%,e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,87%, de 6,94% na mesma comparação.

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