MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Eduardo Puccioni

São Paulo – O Ibovespa opera em queda nesta manhã, corrigindo parte dos ganhos do pregão anterior, depois de ruídos trazidos pela fala do presidente da unidade do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Nova York, John Williams, e com o anúncio da medida de liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ficando apenas para a semana que vem.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,64% aos 104.036,29 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 6,1 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,79% aos 104.495 pontos.

“Ontem, tivemos aquela movimentação por causa do Fed, que elevou as apostas em uma queda maior dos juros nos Estados Unidos e fez a Bolsa subir, mas hoje o mercado voltou ao que estava antes dessa subida, com as ações de bancos devolvendo ganhos”, disse o gerente da mesa de operações da H.Commcor, Ari Santos.

Na quinta-feira, os mercados se animaram com declarações de Williams, que disse que, em um ambiente de taxas de juros historicamente baixas, os bancos centrais devem enfrentar qualquer sinal de fragilidade de forma rápida. A fala foi interpretada como sinalizações de cortes mais agressivos de juros na próxima reunião do Fed, o que fez as apostas em um corte de 0,50 ponto percentual aumentarem.

No entanto, posteriormente, foi esclarecido que Williams não buscava dar sinalizações sobre os juros. As últimas indicações do Fed até então apontavam para um corte mais moderado, de 0,25 ponto percentual.

Já na cena doméstica, o noticiário segue esvaziado com o recesso parlamentar e antes da temporada de balanços começar, com investidores esperando ainda que o governo não demore a anunciar medidas para estimular a economia no curto prazo.

Havia expectativa de que a liberação de saques do FGTS pudesse ser anunciada nesta semana, mas o anúncio ficou para a semana que vem em função de ajustes para não prejudicar o setor de construção civil. “O mercado já demonstra sentir um certo incômodo com os impasses do governo em relação a medidas de estímulo na economia brasileira”, alertam os economistas da H.Commcor em relatório.

Entre as ações que mais pesam para a queda de hoje estão as de bancos, como as do Itaú Unibanco e as do Bradesco. Já as maiores perdas são da Suzano, da Hypera e da Sabesp. Na contramão, as maiores altas são das ações de mineradores e siderúrgicas, como Vale, Gerdau Metalúrgica e Bradespar, que é acionista da Vale. Os papéis refletem a alta do minério de ferro e recomendação positiva do BTG Pactual feita à Vale.

O dólar comercial tem alta firme frente ao real, mais ainda abaixo de R$ 3,75, em correção ao discurso mais “dovish” do presidente do Fed da unidade Nova York, John Williams. Ontem à tarde, ele discursou em evento defendendo ação mais agressiva pelos bancos centrais quanto à política monetária, o que levou o mercado a entender que o Fed poderia cortar a taxa de juros em 0,50 ponto percentual (pp) no fim do mês. À noite, porém, o Fed de Nova York aliviou o discurso de Williams alegando ter sido uma fala em “evento acadêmico”.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,32%, sendo negociado a R$ 3,7410 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 0,57%, cotado a R$ 3,743.

Diante disso, os ativos passam por correção, aqui e lá fora, desde a abertura dos negócios, com o retorno de apostas fortes de corte de 0,25 pp. “O dólar aqui está bem alinhado com o comportamento lá fora em correção após o Fed reparar as declarações do Williams a respeito do corte de juros”, ressalta o economista da corretora Renascença, Daniel Queiroz.

Ele destaca o foco do mercado na expectativa de corte de 0,50 pp. “Mas o comunicado posterior do Fed mudando o tom fez essa expectativa cair bastante”, comenta. Queiroz chama a atenção para uma correção mais intensa do contrato futuro para agosto, que sobe ao redor de 0,60%. “Esse contrato caiu muito ontem e se descolou do dólar à vista no fechamento [R$ 3,7220 contra R$ 3,7290 à vista]. Hoje, ele tem esse viés maior de recuperação”, diz.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) ainda operam perto da estabilidade na manhã de hoje, porém, as taxas mais curtas apresentam viés de queda, enquanto as mais longas mostram um sinal de alta. Sem agenda de indicadores relevante hoje, o mercado ficará de olha no discurso de membros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), após declarações ontem John Williams, da unidade  de Nova York.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,685%, de 5,695% no fechamento de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,53%, de 5,53%  de ontem; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,35%, de 6,35% do fechamento de ontem, e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,92%, de 6,93% na mesma comparação.

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