MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Eduardo Puccioni

São Paulo – Apesar da variação ainda modesta, o Ibovespa mostra um tom mais positivo hoje à espera de medidas que podem ser anunciadas pelo governo para estimular a economia no curto prazo, como a liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que impulsiona as ações de varejistas. Com isso, o índice mostra desempenho melhor do que outras bolsas no exterior, onde prevalece a volta de preocupações com as negociações comerciais entre China e Estados Unidos, que teriam chegado a um impasse.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava avanço de 0,22% aos 104.089,45 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 6,6 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 0,18% aos 104.515 pontos.

Com o recesso parlamentar, que deixa as reformas da Previdência e a tributária em espera, as medidas que podem ser anunciadas ganham maior atenção do mercado. Está marcada para hoje às 16h uma cerimônia no Planalto em comemoração aos 200 dias do governo, onde o presidente Jair Bolsonaro poderia confirmar a liberação de saques do FGTS. Ainda há expectativas de que um pacote de privatizações e mudanças no setor de gás possam ser anunciadas nas próximas semanas.

Para o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, a medida de liberar saques de FTGS pode ter impacto positivo no curto prazo, ajudando no consumo por alguns meses, embora destaque que deve ser temporária e que o mais importante são as reformas estruturantes. “Vai no sentido de dar um impulso para a economia, mas é meramente episódico, dura enquanto dura a liberação. Pode ir alguma coisa para o consumo, o que é bom, mas acredito que boa parte também vai para pagar dívidas”, disse.

A expectativa pela medida faz com que as ações de varejistas fiquem entre as maiores altas do Ibovespa hoje, caso do Magazine Luiza, da Via Varejo e das Lojas Americanas. Já a maior valorização no momento é das ações da Sabesp. Além de continuarem expectativas positivas sobre a privatização da Sabesp, a companhia informou que sua base de remuneração regulatória deve ser atualizada, após a agência reguladora do setor publicar aviso de consulta pública para receber contribuições para uma nova metodologia.

No cenário externo, as bolsas asiáticas fecharam em queda e índices europeus e norte-americanos operam majoritariamente com leves baixas. Há rumores de que as negociações comerciais entre China e Estados Unidos chegaram a um impasse devido a divergências em relação à empresa chinesa de tecnologia Huawei. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, confirmou que há complicações, mas que vai conversar ainda hoje ao telefone com negociadores chineses e que se as conversas forem boas, podem retomar reuniões presenciais.

“O acordo comercial entre China e Estados Unidos parece ser cada vez mais complicado, ou pelo menos é isso que o governo americano quer”, disse o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, em relatório, destacando a questão como a mais relevante na cena externa hoje.

O dólar comercial mantém queda frente ao real, com alguns picos de aceleração nas perdas influenciado por fluxo, em mais uma sessão de pouca movimentação nos negócios. O mercado externo e notícias de estímulo à economia local corroboram para o cenário de queda.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,47%, sendo negociado a R$ 3,7440 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,51%, cotado a R$ 3,747.

“Os rumores de que terão estímulos à economia doméstica como a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço [FGTS] acabou animando o mercado de ações e refletiu no dólar, que consegue manter queda seguindo também o exterior com o dólar perdendo um pouco de força para algumas moedas”, comenta o analista da Toro Investimentos, Felipe Fernandes.  

A proposta de liberar saques de contas ativas e inativas do FGTS como forma de incentivar o consumo e aquecer a economia pode ser anunciada ainda hoje pela equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro. Para contas ativas, os rumores são de retirada de parte do valor, não o montante integral.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) operam sem grandes oscilações na manhã de hoje, com ligeiro viés de queda. Os mercados seguem fracos diante da falta de novidades no meio político e econômico, com o recesso parlamentar no Brasil até o início de agosto e com uma agenda de indicadores fraca. O recesso tem travado o andamento da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,71%, de 5,715% no fechamento de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,57%, de 5,58% em relação ao fechamento anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,37%, de 6,38%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,95%, de 6,96% na mesma comparação.

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