MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Eduardo Puccioni

São Paulo – Depois de iniciar o pregão no campo positivo, o Ibovespa passou a cair com uma realização de lucros puxada principalmente pelas ações de bancos e da Ambev, que têm grande peso no índice. Investidores também seguem esperando a continuidade de votação de destaques, que podem trazer alterações ao texto-base da reforma da Previdência, e a definição sobre quando ocorrerá a votação no segundo turno na Câmara dos Deputados.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,31% aos 104.818,51 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,6 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,24% aos 105.400 pontos.

“O mercado está em compasso de espera pelos destaques, que podem ser votados, e observando se o segundo turno ficará para depois. Enquanto isso, investidores aproveitam para realizar lucros, já que subiu muito nos últimos dias e ainda tem vencimento de opções sobre ações na segunda-feira”, disse o sócio da DNAInvest, Leonardo Ramos.

Ontem, os deputados já aprovaram três destaques, como a mudança de regras para aposentadorias de mulheres, o que deve trazer alguma desidratação à economia inicial prevista, embora não sejam tão expressivas até o momento. No entanto, outros destaques ainda precisam ser analisados antes que a votação em segundo turno possa ocorrer. Caso demorem para ser analisados, o segundo turno pode ficar para depois do recesso parlamentar, em agosto.

Entre as ações que mostram mais realização de lucros são as do setor financeiro, como do Itaú Unibanco, do Banco do Brasil e da B3, que também estão entre as maiores perdas do Ibovespa. Ao lado da B3, aparecem as ações da Kroton e da Via Varejo, que devolve parte das fortes altas dos últimos dias. Os papéis da Ambev são outros de peso que estão em queda.

Na contramão, as maiores altas são da Suzano, do Magazine Luiza e da CCR. O conselho de administração do Magazine Luiza aprovou o desdobramento das 190.591.464 ações ordinárias, sem valor nominal, na proporção de uma ação para oito ações da mesma espécie. Segundo a companhia, o objetivo é torná-las mais acessíveis aos investidores e, consequentemente, aumentar a liquidez das ações.

Após oscilar nas primeiras horas de negócios, o dólar comercial firma queda frente ao real ainda refletindo o otimismo do mercado com a reforma da Previdência, que agora está em fase de análise e votação dos destaques que mudam partes do texto-base, em meio à dúvidas sobre a possibilidade de conseguir votar a pauta no segundo turno antes do recesso parlamentar, a partir do dia 18.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,26%, sendo negociado a R$ 3,7520 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,39%, sendo cotado a R$ 3,747.

Para o analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, mesmo com declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de que a próxima etapa pode ficar para a volta do recesso parlamentar, em agosto, investidores seguem precificando a aprovação da reforma na “casa”.

Ele acrescenta que, apesar das oscilações, o dólar está com “nova resistência psicológica” no patamar de R$ 3,75. “A Previdência está bem precificada neste patamar. Precisa acontecer algo bem importante lá fora com força para fazer a moeda cair mais”, diz.

Lá fora, o viés também é otimista na esteira das declarações do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), Jerome Powell, no Congresso dos Estados Unidos, dando conta de que o corte da taxa de juros e outras medidas de estímulo estão no radar, destacam os analistas da Coinvalores.

Lá, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês), divulgado hoje e acima do esperado, com alta de 0,1% em junho ante expectativa de estabilidade, contribui para o bom humor dos ativos.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) seguem mais uma sessão de queda com investidores apostando cada vez mais no corte da Selic (taxa básica de juros) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), nos dias 30 e 31 deste mês. A dúvida que paira é sobre a magnitude do corte, com algumas casas prevendo corte de 0,25 ponto percentual e outras um corte de 0,50 ponto percentual.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,74%, de 5,755% no ajuste do último pregão; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,58%, de 5,59% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,30%, de 6,31%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,85%, de 6,83%, na mesma comparação.