MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Eduardo Puccioni

São Paulo – O Ibovespa opera em queda nesta manhã com investidores aproveitando para embolsar lucros depois da aprovação da reforma da Previdência no primeiro turno da Câmara dos Deputados e após cinco dias seguidos de alta. O mercado também deverá ficar atento à votação dos destaques, que podem trazer alterações e desidratações ao texto-base da reforma. Investidores ainda monitoram o cenário externo e volta de negociações comerciais entre China e Estados Unidos.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,64% aos 105.139,36 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 9,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,46% aos 105.735 pontos.

“Sempre depois de uma sequência de fortes altas pode ocorrer uma realização. Mas não está caindo muito, a votação foi bem-sucedida, ainda há possibilidade de votação também em segundo turno e não acho muito provável que ocorra uma grande desidratação com os destaques”, disse o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira.

A reforma foi aprovada ontem por 379 votos a favor, número superior aos 308 votos necessários e bem acima até de projeções mais otimistas. Porém, a aprovação já vinha sendo precificada pelo mercado e hoje ainda devem ser analisados os destaques pelos deputados. Entre os eles, estão alterações para aposentadorias de mulheres, policiais federais, entre outros pontos.

Já no cenário externo, o ambiente ainda continua favorável em meio a expectativas de cortes de juros nos Estados Unidos, após declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, além da expectativa de que outros bancos centrais também afrouxem suas políticas monetárias. Porém, ainda estão no radar a retomada de negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos.

Há pouco, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que a China está decepcionando, pois não está comprando produtos agrícolas do país como disse que faria. As bolsas norte-americanas reduziram alta após os comentários.

Após sustentar queda firme nas primeiras horas de negócios, o dólar comercial oscila sem direção definida frente ao real com movimento de correção após a aprovação do texto-base da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados em votação expressiva, com 379 votos a favor contra 131. Além das incertezas quanto aos próximos passos da tramitação da reforma no Congresso. Hoje, investidores acompanham atentos as sessões que analisam os destaques do texto.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava recuo de 0,10%, sendo negociado a R$ 3,7550 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 0,09%, sendo cotado a R$ 3,763.

O economista da Toro Investimentos, Rafael Winalda, destaca o viés de correção exibido desde a abertura dos negócios com o dólar caindo a R$ 3,7350 (-0,64%) – mínima do dia – mas perdendo força e agora, oscila em campos positivo e negativo rompendo o nível de R$ 3,75 sustentado desde ontem. “É normal esse movimento corretivo, em linha com o mercado de ações. E o dólar ficou barato em R$ 3,73”, diz.

Apesar da animação dos mercados, o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer, destaca que ontem “fechou” a primeira fase de “várias”. Ele acrescenta que algumas incertezas ainda rondam a Previdência. “Ainda tem novas etapas até chegar para votação no Senado. Lá, tudo pode acontecer, inclusive voltarem com o texto para a Câmara. É cedo para comemorar”, diz.

Lá fora, indicadores dos Estados Unidos acima do esperado também corrobora para a oscilação do dólar. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), subiu 0,1% em junho ante maio, enquanto analistas esperavam estabilidade. “Essa leve alta reforça que a economia norte-americana ainda está forte e ainda não precisa de estímulos a curto prazo. Ou seja, de um corte de juros”, diz Winalda.

O diretor da Mirae, porém, avalia que após as declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, ontem no Congresso dos Estados Unidos, junto aos números de inflação e de emprego divulgados na semana passada, também acima das expectativas, tiram o ímpeto de aposta de corte de juros mais agressivo.

As taxas futuras de Depósito Interfinanceiro (DI) operam com viés de alta na sessão de hoje passando por um ajuste após recorrentes dias de queda. A aprovação do texto-base da reforma da Previdência em primeiro turno ontem na Câmara dos Deputados é o principal motivo para a alta das taxas.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,79%, de 5,76% no fechamento do último pregão; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,63%, de 5,59% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,33%, de 6,31%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,85%, de 6,86%, na mesma comparação.