MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Eduardo Puccioni, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – A aversão ao risco voltou a predominar no mercado acionário de hoje após uma alta pontual do Ibovespa na sessão de ontem. O aquecimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, com reuniões entre os dois países marcada para hoje, está deixando o principal índice da Bolsa brasileira com tendência de queda.

“Já esperávamos desde as declarações de Trump [Donald, presidente dos Estados Unidos] sobre as taxações nos produtos chineses que a tendência do mercado era de queda. Conforme vai se aproximando o prazo para iniciar a sobretaxa, a aversão ao risco cresce, pois não sabemos se a China irá fazer algum tipo de retaliação e se realmente os Estados Unidos irão impor as tarifas”, disse Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 1,52% aos 94.137,62 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 6,8 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava recuo de 1,44% aos 94.575 pontos.

“Os balanços financeiros das empresas não estão passando batido, por isso temos visto alguma movimentação pontuas de algumas companhias, mas a tendência do mercado no momento é de queda. Internamente ainda temos as confusões que envolvem a reforma da Previdência”, avaliou Bandeira.

No início da semana, em sua conta oficial no Twitter, Trump rejeitou a tentativa da China de renegociar os termos do acordo comercial proposto pelos Estados Unidos. Ele também indicou que vai manter a tarifa de importação de 25% sobre US$ 50 bilhões em produtos de alta tecnologia vindos da China e disse que até sexta-feira elevará de 10% para 25% a alíquota sobre outros US$ 200 bilhões em produtos chineses.

Trump também ameaçou taxar em 25% os demais US$ 325 bilhões em bens da China vendidos aos Estados Unidos. “O acordo comercial com a China continua, mas muito vagarosamente, porque eles tentam renegociar. Não!”, disse o presidente dos Estados Unidos em sua conta no Twitter.

O dólar comercial acelera os ganhos, renovando máximas a R$ 3,98, pressionado pelo mercado externo onde prevalece a aversão ao risco por influência da disputa comercial entre Estados Unidos e China que ganha novos capítulos e eleva a tensão dos investidores. Aqui, a notícia de que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sai do Ministério da Justiça e vai para o Ministério da Economia, corroborou para um cenário mais negativo.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,81%, sendo negociado a R$ 3,9670 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana apresentava avanço de 0,93% cotado a R$ 3,973.

“Tirar o Coaf da asa do Sérgio Moro [ministro da Justiça] significa uma derrota do governo”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes. Uma comissão mista na Câmara dos Deputados votou pela manhã, por 14 votos contra 11, que o Coaf saia da pasta da Justiça e volte para a Economia. Moro defendia que o Conselho ficasse sob os cuidados de seu ministério.

Gomes reforça que o mercado local abriu pressionando pelo exterior com o acirramento na disputa comercial entre norte-americanos e chineses após as declarações do presidente Donald Trump ontem, de que a China teria “quebrado” o acordo firmado entre os países nos últimos meses.

Em contrapartida, a China, por sua vez, disse que vai retaliar. Em comunicado, o Ministério do Comércio chinês afirmou que a escalada do atrito comercial não é do interesse dos dois países, e que se as tarifas dos Estados Unidos forem aplicadas, a China terá que tomar as contramedidas necessárias. Uma delegação chinesa, liderada pelo vice-premiê Liu He, chega hoje a Washington para dar continuidade às negociações comerciais, mesmo após Trump ameaçar impôs novas tarifas à China.

O operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, destaca que investidores optam por proteção enquanto observam os desdobramentos “dessa novela” que se arrasta por meses e tem sido um dos fatores principais da desaceleração no crescimento global, exceto, por enquanto, nos Estados Unidos.

As taxas de juros futuros (DIs) passaram a não exibir uma direção única, após iniciar a sessão em queda. Enquanto os vértices mais curtos se ajustam em baixa ao comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), os vencimentos mais longos são pressionados pela valorização mais firme do dólar.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,40%, de 6,43% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 6,95%, de 7,00%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 8,11%, de 8,10%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 8,63%, de 8,61% após o ajuste anterior.

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